A prática é o momento em que a pessoa sai do seu cotidiano e entra em um universo lúdico.

Ser um professor de Yoga é mais do que conhecer a si mesmo, é também aprender a observar, expandir a consciência não só pelo seu próprio corpo, mas também entendendo o universo como uma teia. Na sua prática pessoal, você vai desenvolvendo um certo domínio sobre a trama que tece a teia do seu ser: que, por sua vez, define a sua individualidade.

Na aula, o indivíduo é o sanga (a classe). O professor deve permitir que a sua consciência ultrapasse as barreiras do seu corpo, se expandindo pela turma, sentindo o sanga, captando a energia do momento e permitindo que se reflita no sadhana.

Observe a seguir as principais características da prática:

 

·      Crie um  ambiente.

Queremos que o aluno desvie a atenção de coisas do seu cotidiano, e o ambiente de prática possui um grande papel nesse processo. Prepare o ambiente usando velas, flores, incenso, aromatizantes, sempre tendo o cuidado de não sobrecarregar o ambiente e manter o equilíbrio.

 

·      Música.

A música ajuda a entrar em estado de flow e unifica a energia do grupo, fazendo todos entrarem no mesmo ritmo. Escolha músicas que te inspiram e cujo ritmo esteja de acordo com o momento da prática e com aquilo que você quer transmitir.

 

·      Criatividade.

Deixe a sua criatividade vir à tona na hora de montar a sua sequência, expresse as suas impressões. No começo você vai racionalizar muito, mas, aos poucos, perceberá que a sequência é criada pelas sensações e não pela razão. É em cima do tapete, experimentando e vivenciando, que o seu corpo vai te guiar na sequência correta.

 

·      Vinyasa.

Valorize o espaço entre os asanas. O movimento que leva uma postura à outra, encadeando os asanas, é tão importante quanto a própria postura e deve ser guiado pela respiração.

Imagine que cada asana é uma das contas de um mala (cordão) que, soltas, são apenas contas. É necessário ter um fio de algodão que vai ligar uma conta à outra, formando o mala. Esse fio é puro e suave como o algodão e forte o suficiente para sustentar todas as contas e reuni-las em um único objeto.

Na sua prática, esse fio é a sua respiração, que é suave e profunda para carregar o prana e forte o suficiente para lhe dar domínio nos movimentos e estabilidade nos asanas, unindo a sua prática em um fluxo completo e ininterrupto.

 

·      Flow.

O flow é um estado de êxtase, é aquele momento em que você se envolve com uma música e seu corpo flui com o som, sem a sua interferência. A mente não está mais comandando o movimento, ele vem do próprio corpo, das sensações. É um estado mental parecido com a meditação. Esse estado de flow, quando atingido na prática, se reflete também na sua vida. Se observarmos ao nosso redor, conhecemos pessoas que parecem lutar com a vida, como se estivessem na contramão do fluxo, e outras que parecem surfar pela vida, como se pegassem uma carona, contornando as dificuldades com destreza e eficiência, seguindo em frente. Encontrar o fluxo é como encontrar a estrada do seu dharma e seguir em frente.

O estado de flow é alcançado quando se faz algo que realiza o seu ser.

“O flow é como abrir uma porta que estava flutuando no meio do nada e a única coisa que você precisa fazer é abrir e se permitir mergulhar no que existe adiante. Você não pode se forçar a passar por ela, você simplesmente precisa flutuar.”

                                                                                                                                                 Mihaly Csikszentmihalyi

·      Asana líquido.        

O asana liquido é um caminho para extrair energia prânica da entropia, Libertando o nosso corpo de padrões e impressões. Utilizamos como ferramenta o ritmo da respiração, que guia os  movimento fluidos de ondulações, círculos e espirais.

“Igualamos os nossos movimentos com os nossos ritmos internos de respiração, batimentos cardíacos e nossa corrente interna de prana. Como técnica milenar de êxtase, o yoga cria uma ponte entre o mundano e o extático, entre o habitual e o sagrado, levando-nos a um estado consciente através do que é chamado soma. Nesta prática viva, camadas de contrações culturais, psicológicas e físicas são liberadas, revelando e ativando uma sabedoria profunda e somática que está sempre fluindo como fonte de vida e que, assim como as águas profundas escondidas no solo, residem dentro de nós alimentando as raízes do nosso potencial. Nossa prática de yoga é, então, uma jornada profundamente pessoal para recuperar a memória de quem realmente somos e retornar aos nossos ritmos orgânicos e livres.”

                                                                                                                                                                            Micheline Berry

·      Peak pose.

Peak pose é o ponto mais alto da sequência. Como o nome sugere, é como chegar ao pico de uma montanha.

Um alpinista, para conquistar uma montanha, precisa de muito preparo. Ele só vai chegar ao pico depois de explorar e dominar toda a extensão da subida e saber como irá descer.

No yoga traduzimos isso como kramas. O que importa na prática é o trajeto, a sequência que você desenvolve e que vai lhe ensinar as ações necessárias, dar a abertura de que o corpo precisa para conquistar a postura escolhida e como compensá-la.

Em uma sala de prática, quando se respeitam as kramas, podemos ter alunos que chegam até o peak pose e outros que ficarão em suas kramas preparatórias.

O peak pose geralmente é um asana, mas, também, pode ser uma intenção ou um pranayama. O importante é lhe dar uma direção para desenvolver uma sequência harmoniosa, que abre, prepara e compensa, fechando um ciclo.

 

·      Sequência de vinyasa krama.

A sequência de vinyasa krama deve encadear as posturas de uma forma fisiológica e orgânica, observando cada passo para entrar nos asanas, abrindo espaço para as posturas mais complexas, coordenando cada ação que nos leva ao asana com a respiração e a concentração. Compreenda a inteligência do corpo e chegue até um ponto da postura que favoreça o seu fluxo de energia, mantenha a fluidez e a harmonia com  a respiração.

·      Ajustes somáticos.

O ajuste somático é um toque, geralmente leve, que indica qual é o movimento que deve ser aplicado. É uma forma de guiar o aluno nos asanas, ajudando-o a encontrar o seu próprio espaço. Caso você tenha habilidade com massagem, faça, às vezes, um carinho nos alunos em algum momento restaurativo da prática ou, até mesmo, em ajustes, durante os asanas.

O ajuste deve ajudar o aluno a aproveitar o seu potencial, jamais deve-se forçar uma situação.

Observar as características da pessoa. Alguns alunos são superacessíveis e adoram o toque, já outros são mais restritivos. Neste caso, o ajuste deve ser feito apenas quando necessário e, naturalmente, após algum tempo praticando com você, o aluno ganha confiança, e se torna mais acessível ao ajuste.

 

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