Pratico Yoga há mais de 12 anos e sou professora há 7, já estudei e pratiquei quase todas as vertentes do Yoga e sei o poder de cada uma delas na minha vida.
Em épocas mais agitada sempre escolho uma prática mais dinâmica, como ashtanga e Power, por que leva meu corpo no seu limite e me deixa bem mais calma depois. Demorou um tempo para aprender a gostar da Hatha Yoga, pois para mim é uma prática que exige muita concentração e estado de presença e como tenho hiperatividade mental, foi uma prática que demorou anos para fazer parte da minha disciplina. A meditação sempre foi um grande desafio, mas por esta mesma razão o meu grande alvo na prática. Gosto de coisas que me desafiam, que me tira da zona de conforto e meditar é algo novo todos os dias.

Mas hoje escrevo Sobre Purna Yoga, ou Yoga Integral, de Sri Aurobindo e Mirra Alfassa, vertende do Yoga que venho aprofundando desde que fui a Auroville, no sul da Índia e desde que abri o Studio Yoga Integral em 2011.
Na minha formação de Jivamukti Yoga em 2007, conheci quase todas as vertentes do Yoga, digo isto por que, o Purna Yoga, só foi aparecer na minha vida, através de um aluno, que já lia a Mirra Alfassa, Guru do Yoga Integral, há alguns anos. Numa conversa sobre a minha viagem a Índia, ele me presenteou com um livro da Mirra Alfassa, sobre Auroville, e claro não tive dúvida que aquela Eco vila era o lugar que deveria ficar enquanto estivesse por lá durante aquela viagem. Já havia ido a Índia antes, como curiosa e pesquisadora do Yoga. Conheci e pratiquei Yoga com diferentes professores por lá, mas o Yoga Integral só me veio muitos anos depois, aqui no Brasil.

Conto a minha história para vocês por que de certa forma, o Purna Yoga veio até a mim, sempre me questionavam que prática do Yoga eu seguia e nunca tinha uma resposta. Pois me formei em Jivamukti, gosto de práticas dinâmicas estilo vyniasa flow, mas também adoro as práticas mais meditativas, e nunca deixei a prática da meditação de lado,o que fica difícil descrever que linha do Yoga eu sigo, pois estou sempre seguindo meu ritmo natural e sempre mudando minha prática com ele.

E então, me surge esta vertente, O Purna Yoga e cada vez que lia e conversava com alguém sobre o assunto não tinha dúvida que havia encontrado a vertente do meu Yoga, a vertente que definia as coisas que acredito ser importante para um praticante de Yoga.
O Purna Yoga ou Yoga Integral, não é melhor e nem mais importante que nenhuma outra vertente do Yoga, pelo contrário ela integra todas elas, a diferença que Sri Aurobindo e Mirra Alfassa enfatizaram muito nos seus escritos o poder da meditação e a necessidade que devemos desenvolver no dia- a –dia do estado de observação, e na minha opinião desmitificaram muitas coisas do Yoga para o momento atual.

A ênfase em que Sri Aurobindo chamou de Supra Mente ou Ser Superior, é o objetivo principal da prática, como é de toda vertente do Yoga, mas aqui pela primeira vez se falou da necessidade de fazer a descida desta energia para matéria, este estado que os budistas chamam de Nirvana. Segundo Aurobindo, só conseguimos um poder de transformar nossas vidas se nos conectamos cada vez mais com nossa energia Superior e a partir do momento que esta união ou Yoga acontece, devemos trazer esta força para o nosso corpo. Embora, para isto acontecer, precisamos ter corpos sutis e alinhados para receber esta energia Divina cósmica. Digo corpos por que ele cita muito nos seus escritos, o nossos corpos sutis, principalmente o emocional, que muitos já conhecem como corpo astral e o Corpo mental, que chamamos de pensamento.

E para obtermos este poder, ou a descida da nossa Energia Suprema a matéria, o segredo aqui é conhecer todos os nossos corpos e como estes corpos influenciam as nossas escolhas, como somos manipulados por eles. E pela primeira vez nos meus estudos, encontrei palavras que descreviam exatamente o que sinto em relação a minha prática. Muitas práticas de pranayama por exemplo me arrastam para lugares desconfortáveis e fico bem pior do que estava antes da prática, e nunca sabia o por que disto. Segundo Mirra Alfassa, isso acontece por que estamos lidando diretamente no nosso corpo astral, o que ela não dar o nome de corpo astral e sim corpo emocional. Pela primeira vez alguém descreve de forma simples em que campo da matéria ou da mente cada prática afeta e como lidar com tudo que vem após cada prática.

No Yoga Integral por exemplo, o Sri Aurobindo não ensinava e não dava asanas pros seus alunos, não por que ele achava desnecessário, mas por que se o discípulo gostava de preparar o corpo dançando ou caminhando, não havia necessidade de ir para a prática do tradicional asana. Uma vez que o corpo estava sendo preparado de outra forma. Se um aluno chegava depois de muitos anos de sadhanas de meditação, diz-se a lenda que ele orientava a pessoa a ir de encontro com o mundo, casar e ter filhos.

Segundo o Yoga Integral, precisamos viver e realizar aqui no agora toda necessidade da nossa matéria- corpo e do espírito. Para ele é fácil atingir o Nirvana quando nos isolamos nas montanhas, mas como praticante o nosso alvo é viver cada vez mais em estado de pura consciência enquanto lidamos com questões financeiras, carências ligada as nossas relações pessoais, quando lidamos com nossas questões sexuais, apego, dinheiro e poder.
O yoga Integral não nega essas necessidades, devemos encarar o melhor e o pior de nós em relação ao que enxergamos do nosso corpo e mente para transformá- los.

Falar de Yoga integral, que é um tema vasto e complexo, fica delicado escrever em poucas linhas, por isto o texto mais longo hoje, de qualquer forma, se vocês leitores tiverem interesse em conhecer um pouco mais, deixe suas dúvidas e respondo nos próximos textos que virão.
Boa Prática e Namastê

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