As doenças cardiovasculares são consideradas a primeira causa de morte no Brasil, gerando assim custos elevados para a saúde pública. Este fato pode ser explicado pelo aumento da  incidência de sobrepeso e obesidade, os quais se encontram relacionados com os hábitos alimentares não saudáveis e o comportamento sedentário dos indivíduos. O estilo de vida moderno proporcionado pelos avanços econômicos, sociais e tecnológicos contribuiu de forma indireta para o crescente aumento deste quadro.
Dentre os hábitos alimentares não saudáveis, que culminam no desenvolvimento de doenças cardiovasculares, pode-se citar o consumo excessivo de alimentos gordurosos, tais como as frituras, produtos de origem animal, produtos industrializados, fast foods etc.

As recomendações atuais indicam que a dieta deve conter 30% ou menos de gorduras do total de calorias ingeridas, visando assim diminuir a incidência de doenças cardiovasculares e câncer. Não é recomendada a restrição ou a redução menor que 15% no seu consumo, pois elas são necessárias para manter o equilíbrio nas funções de nosso organismo, desenvolvendo o papel de transporte de vitaminas lipossolúveis (A,D, E, K), reserva energética, componente dos compartimentos celulares e componente de hormônios, entre outros. Uma dieta com aporte energético diário de duas mil calorias deverá conter menos de 67 gramas de gorduras totais,  as quais se dividem em gorduras saturadas, monoinsaturadas, poli-insaturadas e trans.

As gorduras saturadas compreendem aquelas contidas em alimentos de origem animal, como carnes, ovos e laticínios. Estes alimentos são também acompanhados por colesterol exógeno, que é o colesterol adquirido através da alimentação (há também o colesterol endógeno, que é o produzido pelo nosso fígado). As gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas estão pre-sentes em alimentos de origem vegetal. Os poli-insaturados possuem papel muito importante à nossa saúde, pois nosso organismo não os produz, sendo necessário então que estes sejam adquiridos através dos alimentos.

As gorduras poli-insaturadas compreendem os famosos “ômega 3” e” ômega 6”, os quais desenvolvem funções benéficas para nosso organismo. O ômega 3 pode ser encontrado em folhas, em poucas sementes oleaginosas (no-zes, avelã, macadâmia, castanha do Pará etc) e, principalmente, em peixes de águas geladas de grande profundidade, como cavala, sardinha, salmão, truta, savelha, atum e anchova (estão presentes nesses animais devido à suas alimentações baseadas em algas). O ômega 6 é comum no reino vegetal, especialmente em sementes vegetais.
Entre as funções benéficas que esses nu-trientes nos trazem, pode-se citar a redução de gordura no sangue, aliado ao aumento de HDL –colesterol (“coles-terol bom”) e a melhora de fatores de risco para doenças cardiovasculares, como a diminuição da hipertensão arterial e do processo inflamatório.Gorduras saturadas, por sua vez, possuem perfil prejudicial à nossa saúde, pois aumentam os níveis de colesterol no sangue e estão relacio-nadas com o desenvolvi-mento de doenças cardio-vasculares. As gorduras monoinsaturadas estão presentes em produtos vegetais e tem o potencial de reduzir os níveis de LDL colesterol (“colesterol ruim”) sem afetar o HDL colesterol (“colesterol bom”).

O tipo de gordura que mais contribui para o aumento do LDL colesterol é o ácido graxo trans isômero, a famosa gordura trans. As gorduras trans são produzidas a partir da hidrogenação dos óleos vegetais e começou a ser usada pela indústria alimentícia, em larga escala, a partir da década de 80, para aumentar o prazo de validade dos alimentos e deixá-los mais crocantes ou cremosos. Sendo assim, a maioria dos alimentos industrializados (fast food, bolachas, biscoitos, bolos, doces, batata frita, margarinas etc.), podem conter os ácidos graxos trans ou gordura hidrogenada em até 40% da sua com-posição.
Outros agravos que o consumo excessivo de gorduras trans traz à nossa saúde é que elas além de aumentarem os níveis de LDL coles-terol, diminuem os níveis de HDL colesterol, piorando a função endotelial (endotélio é a
membrana que reveste internamente, as câmaras do coração, os vasos sanguíneos e os vasos linfáticos e é responsável pelo equilíbrio vascular em nosso organismo), alteram a insulina (diminuem a tolerância ao açúcar e aumentam a quantidade de açúcar no sangue em jejum), aumentam o risco para desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. Esse tipo de gordura possui potencial prejudicial maior à nossa saúde do que as gorduras satura-das (estas possuem os mesmos malefícios que as trans, porém em potencial menor).
O consumo de carne vermelha, particular-mente a processada, está associado com o aumento do risco de doenças cardiovasculares, metabólicas (obesidade, diabete tipo 2 etc.) e alguns tipos de cânceres.Por este fato, é pru-dente ler os rótulos dos alimentos industrializados, verificando qual a quantidade de gordura trans pre-sente no produto e se essa não ultrapassa a recomendação preconizada (Organização Mundial da Saúde), que é de menos de 1% do valor energético calórico total, ou seja, em uma dieta que contém duas mil calorias em seu valor diário total, menos que 2,2g de gorduras trans devem ser consumidas.

Acredita-se que o decréscimo de gordura dietética pode reduzir a incidência de cânceres de mama, cólon, reto e próstata. Esses tipos de cânceres são mais frequentes em populações que consomem mais gordura animal, principal-mente a carne vermelha, quando comparadas aos países mais pobres ou orientais.Em relação às carnes vermelhas, essas como qualquer outro produto de origem animal, possuem gorduras saturadas e colesterol. Seus malefícios não se aplicam ao simples fato de serem carnes vermelhas, mas sim ao consumo excessivo destas e à escolha por cortes mais gordos, os quais contêm maior quantidade de gorduras saturadas e colesterol. Dessa forma é recomendado que houvesse escolha por cortes mais magros como patinho e lagarto e que os cortes mais gordos como picanha, cupim, costela, pernil e bacon, sejam consumidos apenas em ocasiões especiais.

O que significa “colesterol bom” e “colesterol ruim”?
O HDL – colesterol é considerado benéfico à saúde, pois é responsável pelo transporte de colesterol presente no sangue e tecidos para o fígado, onde este é metabolizado, favorecendo assim um menor risco de desenvolvimento de doenças cardíacas. Em exames, ele deve estar maior que 40mg/dL para homens e para mulheres, maior que 50mg/dL.
O LDL- colesterol é considerado prejudicial à saúde, porque deposita colesterol nos diferentes tecidos do organismo. Atua sobre as paredes internas dos vasos sanguíneos, favorecendo formação de depósitos de gorduras e células nas paredes das artérias, levando ao seu estreitamento, o que prejudica o fluxo sanguíneo. Em exames, seu valor deverá ser menor que 160mg/dL.
Recomendações nutricionais sobre gorduras, segundo o Ministério da Saúde

– Reduzir o consumo de alimentos e bebidas concentra-dos em gordura (carnes em cortes gordos, gema do ovo, sorvetes, salgadinhos, bolachas recheadas, tortas, bolos);
– Usar pequena quantidade de óleo vegetal quando cozinhar. Prefira formas de preparo que utilizam pouca quantidade de óleo, como assados, cozidos, ensopados e grelhados. Evite frituras;
– Consuma não mais que uma porção por dia de óleos vegetais, azeite ou margarina sem gordura trans;
– Tomar cuidado com bolos, tortas, biscoitos, chocolates, salgadinhos, pastéis
– que levam muita gordura na preparação da massa, recheio e ou cobertura – e ainda todos os alimentos fritos. A gordura usada nesses tipos de alimentos é do tipo vegetal hidrogenada (gordura trans);
– É interessante o consumo regular de fibras na dieta, em quantidade de no mínimo 25g/dia de fibras, pois estas protegem contra o excesso de gordura e colesterol no sangue. As fibras estão presentes em frutas, legumes,
verduras, grãos, tubérculos e raízes.
Thais Carretoni

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