Dando a volta por cima nas rotinas da mente através da respiração: quem respira bem, pensa e age bem.

A respiração é um dos atos mais importantes de nossa vida e a consciência respiratória está totalmente relacionada ao nível de qualidade de vida de uma pessoa. É um evento controlado pelo cérebro, que promove, em média, uma inspiração a cada cinco segundos, ou seja, 12 vezes por minuto. Estudos indicam que, em um dia, respiramos cerca de 20 mil vezes. É por meio dela que o corpo absorve o oxigênio e elimina o gás carbônico. Com a entrada de oxigênio, as células produzem a energia necessária para todas as atividades relacionadas às funções do organismo. Um adulto inala cerca de 350, 400 ml de oxigênio a cada inspiração, porém, seus pulmões têm capacidade de receber dez vezes mais, ou seja, cerca de quatro litros de oxigênio.

Se uma pessoa respirar mais rapidamente, menos oxigênio será mandado ao sangue e, consequentemente, seu coração precisará bater mais vezes para enviar a mesma quantidade de oxigênio ao cérebro. E quanto mais se exige do coração, maior será a chance de essa pessoa desenvolver doenças cardiovasculares, como a hipertensão arterial. Por outro lado, se você aprende a respirar adequadamente, terá mais controle sobre a frequência cardíaca, não sobrecarregando o coração. Assim, não liberará adrenalina em excesso, e sim endorfina e serotonina, substâncias químicas responsáveis pela sensação de relaxamento e de bem-estar.

Para as ciências orientais como o Yoga, a respiração é muito mais do que um fato fisiológico, é também psicológico. Através dela podemos controlar nossa mente e emoções: preocupações, angústias e tensões podem ser dominadas pela forma adequada de respirar.

O Yoga possui muitos exercícios respiratórios e quando, pelos mesmos, voluntariamente, controlamos a respiração, tornando-a lenta, induzimo-nos necessariamente à tranquilidade emocional e mental. Ritmando-a, estabelecemos a paz entre a mente, a vontade e os impulsos antes contraditórios e opostos.

Mas qualquer pessoa, praticante ou não de Yoga, pode vigiar a respiração, observá-la e assim descondicioná-la aos poucos dos antigos padrões. Se você puder observar sua respiração, ela se tornará profunda, silenciosa, rítmica.

Um exercício simples e acessível a todos, para começarmos a respirar melhor não só em momentos de tensão, mas constantemente, até que se torne um hábito com inúmeros benefícios físicos, mentais e emocionais a curto e longo prazo, que é possível realizarmos agora mesmo, sentados na cadeira: primeiro ajustamos nosso corpo, deixando nossas costas eretas e abertas. Deixe o pescoço longe dos ombros e estes baixos e relaxados. O queixo levemente erguido e alinhado e os braços soltos. Coloque o dorso da mão direita sob a palma da mão esquerda deixando as pontas dos polegares se tocarem suavemente. Deixe o rosto solto, sem tensão. Deixe o maxilar e os dentes relaxados. Depois inspiramos deixando o ar percorrer inicialmente a parte superior do peito, em seguida a parte do meio e fazendo o ar chegar ao umbigo. Expiramos também pelo nariz, fazendo o processo ao contrário. Impulsionamos nosso abdome para dentro, levando o ar do umbigo ao meio do corpo, a parte superior do peito, soltando esse ar pelas narinas de forma devagar, a fim de expulsá-lo de forma lenta, retirando as toxinas de nosso corpo e de nossa mente. Experimente e veja como se sente logo após.

Observando constantemente sua respiração você se tornará muito diferente, porque essa conscientização irá lhe desprender de sua mente. A energia que normalmente se move para o pensar, agora se moverá para a observação.

“A respiração é o único processo fisiológico duplamente voluntário e involuntário. Se quisermos, podemos acelerar, retardar, parar e recomeçar o ritmo respiratório. No entanto, quase todo o tempo nos esquecemos dela, deixando-a por conta da vida vegetativa.” (Prof. Hermógenes em “Autoperfeição com Hatha Yoga”)

O filósofo indiano Osho nos aconselha que sempre quando sentirmos algum julgamento, seja qual for o padrão – ciúmes, raiva etc. –, o primeiro passo é alterar a respiração. Se você estiver se sentindo irritado, inspire e expire profundamente durante apenas dois minutos e veja o que acontece com a sua raiva.

Imediatamente você perceberá uma mudança: o pensamento tenderá a desaparecer.

Ao respirar profundamente você terá confundido sua mente, pois ela não é capaz de correlacionar as duas coisas. Você a colocou em uma situação tal que ela não seja capaz de funcionar de maneira habitual. A mente começa a se perguntar: “Desde quando alguém respira profundamente quando está com raiva? O que está acontecendo?”

Todos os hábitos da mente estão associados com o padrão da respiração. Sempre quando você quiser mudar um padrão da mente que se tornou um hábito duradouro, a melhor coisa é respirar. Exale profundamente e, enquanto você joga o ar para fora, visualize que o padrão está sendo jogado fora.

Imediatamente você verá que a mente se moveu para algum outro lugar; uma nova percepção surgiu. Você não está mais na trilha habitual, assim você não irá repetir o velho hábito. E isso é verdadeiro para todos os hábitos.

(Revisão gramatical: Ida Gouveia / Oficina das Letras)

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