Coloque a sua prática pessoal em primeiro lugar. E eu não estou falando só das asanas. Em fato, é muito importante deixar as asanas de lado. O quê? – alguém pode estar querendo me matar agora – mas deixa eu explicar.

 É importantíssimo cultivar a sua prática de asanas de forma constante e equilibrada, mas yoga não é só isso. Yoga está nas suas experiências, como você interage com as pessoas, como você interage consigo mesmo… passei, viaje, leia livros diferentes ou até mesmo faça uma aula de salsa ou assista um documentário interessante. Permita-se. Aprenda, desaprenda e aprenda de novo. Cada experiência que você vive na sua vida e no seu cotidiano vai ser levada para a sala de aula. Quer você perceba ou não, a tua energia, o seu modo de ensinar, de se mover na sala vai seguir as tuas experiências de fora da sala de aula. Então busque se mover diariamente seguindo a sua intuicão, o seu fluxo interior, procure estar presente em tudo o que você faz e isso vai refletir no seu modo de ensinar. Sempre que necessário descanse. Todo mundo precisa tirar uma soneca no meio da tarde de vez em quando. Por que você não? Sempre vá para o estúdio com o coração aberto, descansado e renovado, faça os seu modo de ensinar uma extensão do seu modo de viver e os seus alunos vão sentir isso.

 Sempre renove a sua vontade de aprender. Faça aulas com outros professores, workshops e cursos de atualizacão. Estude um pouquinho mais de anatomia toda semana. Foque em uma parte do corpo por vez, faça uma aula focando no que você aprendeu e refresque a sua memória. Não de zilhões de dicas de anatomia, mais filosofia, mais respiracão, mais a receita de bolinho da sua mãe tudo de uma vez só em uma aula! É muita coisa para a maioria das pessoas. Então foque em um ponto em particular por vez e ao decorrer de diferentes aulas os seus alunos regulares vão poder ter aprendido muito mais do que se você tivesse falado tudo de uma vez só.

E por falar em alunos. Mantenha sempre as portas abertas para quem não puder mas realmente quiser trabalhar com você.

Ofereça aulas por doação no seu estúdio ou no parque, ou “work exchange” onde ambas as partes se beneficiam. E aqui eu não estou simplesmente dando uma sugestão, eu acredito que seja uma obrigação, eu falei obrigação? Sim. Cada professor tem a obrigação de acolher quem está em busca de conhecimento. Se quem vier até você não puder pagar pelas tuas aulas mas estiver mesmo interessado vai limpar privadas com muita felicidade em troca de aulas – e eu sou um dos muitos exemplos vivos disso. Jamais ignore quem bate à sua porta!

Saiba o nome dos seus alunos– e aqui é uma parte bem difícil pra mim – se você for como eu, você sempre pergunta para cada aluno novo como ele esta se sentindo, se ele tem ou teve qualquer tipo de lesão. Na próxima vez que você o vir vai lembrar que ele esteve em um acidente de carro em 2005, deslocou dois ombros, mora perto do estúdio, trouxe o irmão pra aula, sempre usa bandana na cabeça, mas o nome….? Você sabe que você está prestando atencão naquele aluno que te pediu pra olhar o joelho dele porque ele tem artrites, mas ele sabe? Receber os seus alunos falando o nome deles – Bom dia Joana!- faz não apenas com que eles se sintam bem vindos, mas seguros. E isso é uma parte fundamental do nosso trabalho, oferecer um ambiente onde todos possam se sentir e estar seguros pra desenvolverem a sua jornada individual.

 Prepare-se, e prepare o espaço onde você vai dar aula. Chegue no estúdio sem pressa, pelo menos uns quinze minutos antes da aula começar. Respire, sinta o lugar, faça uma oracão, entoe um mantra na sua mente, converse com os seus guias espirituais… o que funcionar pra você. Peça para que a aula seja não o que você quer que seja, mas que seja o melhor pra quem quer que venha. Eu acredito que quem está na aula, naquele dia, naquela hora, é porque tem que estar ali naquele dia, naquela hora. Então ofereça-se para ser um intermediário para que aquela pessoa receba o que precisa. Você não sabe, mas talvez uma palavra, um toque, uma postura, pode mudar toda a perspectiva de um aluno. Então, vá para aula com a atitude de estar a serviço. Ascenda um incenso ou velas se você quiser. Aterre-se, abra-se, prepare o ambiente e o mais importante: seja você mesmo.

  Seja você mesmo. Ninguém vem pra tua aula de yoga porque você é o único professor que ensina a pose do cachorro olhando pra baixo! As pessoas vêm pra tua aula por causa de você! Seja por causa da tua energia, do seu conhecimento de anatomia ou o jeito com que você fala sobre filosofia ou conversa com todo mundo. Talvez alguém apareceu na sua aula porque era o único horrário que funcionada pra ele, ou veio arrastada pelo marido. Mas se esse aluno voltar, vai ser por causa de você, de algo que só você pode ofecerer e que é importante na jornada daquela pessoa naquele momento! Todos nós pegamos uma rotina de um professor aqui, outro ali, um jeito de explicar a pose assim ou assado… mas não imite ninguém, seja sempre você mesmo. Fale a sua verdade, ensine através da voz do seu coração e acima de tudo, seja sempre honesto e autêntico.

Todo o caminho é válido. O importante é caminhar. Evite criticar outros professores, linhagens e estilos de práticas diferentes da sua. Mesmo que no fundo você ache que o “fulano” ou “o ciclano tipo de yoga” é um absurdo… matenha qualquer jugamento para si mesmo – afinal, é um julgamento, não é?- assim, evite dissipar intriga ou competição entre os alunos ou até mesmo entre professores. Afinal, ninguém é dono da verdade, muito menos do yoga. Respeite o trabalho desenvolvido por outros e faça sempre o seu melhor fora e dentro da sala de aula. Viva e ensine pelo exemplo. Seja você a mudanca que quer ver no mundo.

Comments

Muito boa as dicas, principalmente sobre a autenticidade do professor, a verdade nas palavras e a experiência de vida com o Yoga, o exemplo é o melhor caminho para representar o caminho trilhado dentro do Yoga. Namastê.