Inicialmente, eu diria que o objetivo é manter-se imóvel, numa postura meditativa de maneira confortável. Tarefa essa, nem sempre muito fácil. As dhyanasanas geram certo desconforto inicial, como dor, formigamento; além disso, mentalmente é difícil manter-se na posição, os pensamentos enviados pela mente, são na maioria das vezes, desencorajadores – “não aguento mais”, “está doendo demais”, “isso vai acabar cortando a circulação da minha perna”, “isso me parece ridículo, ficar aqui parado”, “será que meus colegas de classe estão conseguindo ficar parados??? Me parece impossível…será que já desmancharam a postura?”. Enfim, a mente fica muito agitada e isso dificulta muito a manutenção da imobilidade. Mas é preciso que saibam, que assim como vocês, eu também passei por isso. A persistência e disciplina trarão a você, praticante, de maneira bem rápida, o conforto da postura e o conforto na imobilidade. Com relação à postura em si, existem maneiras de deixa-las mais confortáveis. Sentar-se sobre um cobertor dobrado, ou uma almofada, ou até fazer uso dos bancos para meditação, são maneiras de tornar a permanência mais fácil. A mente, por sua vez, é acalmada com o tempo de prática e também com a associação de técnicas de respiratórias – pranayamas.

A respiração representa fator importante na prática de meditação. Respiração e mente estão intimamente ligadas. Quando uma se agita, a outra imediatamente se perturba, quando uma se acalma, é controlada, a outra responde da mesma forma. E como a mente tem papel importantíssimo, é imprescindível “domá-la”. Pranayamas são ferramentas maravilhosas para esse fim. Portanto, para um praticante iniciante, sugiro um exercício simples de respiração, apenas observar o ritmo natural da respiração. Depois disso, aprender a fazer a respiração completa ajuda muito a centrar a mente e a concentrar-se para então meditar. Um pranayama que gosto de usar antes de meditar é Nadi Shodhana Pranayama. Além de purificar os nadis, como o próprio nome sugere, e trazer maior oxigenação sanguínea do que a respiração normal, ele tem o efeito de revigorar e acalmar os nervos, promovendo um bem estar de calma e controle. Com isso, a mente se mantém imóvel e lúcida.

A partir daí, é possível “guiar” a meditação concentrando-se em algo, mantendo o foco em algo. Este “algo” pode ser físico, como o ponto entre as sobrancelhas, ou um chakra, ou pode ser um mantra – entoado mentalmente, ou apenas focar-se em imagens mentais. Mas o professor, como guia, não pode exagerar nas falas, quanto menos interferirmos no processo, mais fácil para o aluno conseguir prosseguir.

A verdade é que a prática de meditação leva um tempo para ser atingida de maneira satisfatória, o importante é persistir! Pois a cada nova tentativa, a postura vai ficando mais confortável, a mente mais calma, e o objetivo de isolar-se do mundo externo e afundar-se nas profundezas do Eu é atingido.

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