solO que dizer de algo indizível? Como explicar o inexplicável? Toda tentativa para responder tais perguntas seriam desnecessárias, devido a nossa limitada compreensão do incompreensível. Embora a mente humana encontre certas limitações para elucidar e exemplificar este enigmático tema, o mesmo, não pode ser descartado da nossa realidade, pois sem ele perderíamos a essência do ser.
Desde os primórdios da humanidade o homem tem tentado através da mística encontrar respostas para as questões espirituais, cósmicas, sobretudo da existência. A mística tornou-se a mãe de todas as ciências. Na tentativa de transmiti-la surgiu à escrita, e desta, criaram-se os mitos, as parábolas, as metáforas, as estórias… Objetivando aclarar por meios escriturísticos a transcendentalidade manifesta.
Os homens buscando compreender a mística no cosmos tornaram-se astrólogos, astrônomos, observadores do mundo cosmogênico. Os que procuravam entender a mística por meio de números, como Pitágoras, viraram matemáticos. Em meio a formulas, porções, combinações de elementos orgânicos e inorgânicos realizadas por aqueles que tentavam decifrá-la, surgiram os alquimistas. Na sensibilidade de ouvir as vibrações harmônicas do universo e apreciá-las, nasceram os músicos, que sob a inspiração da mística criaram instrumentos, fizeram melodias, notas musicais, canções para celebrarem o desconhecido. Poderia descrever inúmeras áreas do desenvolvimento humano tendo como premissa a mística em suas variadas manifestações.
Mas em que momento o belo perdeu a sua beleza, o mistério perdeu seu tempero incognoscível, o extraordinário passou a fazer parte da ordinariedade, e o místico foi desmistificado? Particularmente responsabilizo os entes humanos que desenvolveram a ciência modernamente conhecida como teologia. Pois na semântica da palavra se camufla a pretensão de estudar e diagnosticar o Divino. Deus se tornou uma matéria a ser compreendida academicamente. As teologias tentaram sistematizar o não sistêmico, empacotar o não-empacotável, domesticar o não domesticável. Sutilmente a mística foi se transformando em misticismo, um fenômeno feio, impalatável, condicionante e pagão! A abertura para o desconhecido, a percepção extrassensorial foi substituída por mediadores, formulas, porções, ritos “magificados” e supersticiosos. Desse caldeirão surgiram muitas manifestações religiosas, que seria desgastante mencionar pormenorizadamente.
Um dos eventos mais significativos em torno da morte de Cristo, foi fato do “véu” que simbolizava o alienamento humano em relação à supra realidade ter se rompido de alto a baixo, possibilitando-nos relacionarmos misticamente com Deus desprovidos de misticismo. Em Jesus o Véu do misticismo se desintegra e um vivo caminho se abre para o encontro cujas expectativas são apenas sombras e silhuetas de um evento que jamais penetrou o coração humano em sua totalidade.

 

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