Quem nunca saiu de um retiro espiritual, palestra ou aula de Yoga certo de que Samadhi estava prestes a se concretizar na sua vida? Todo aquele conhecimento e energia são como um bálsamo e por um momento temos a certeza de que descobrimos os segredos do universo e da existência. Basta, porém, voltarmos pra casa e para o trabalho e nos sentimos ainda mais longe de Samadhi do que antes.  Cometemos as mesmas coisas de sempre e percebemos o quanto ainda estamos condicionados…  Mas por que isso acontece afinal? O que podemos fazer para que seja diferente?

Conheci nessa semana um Yogui que lançou uma luz sobre esse assunto. Jivan Vismay acredita que a solução para muitos comportamentos condicionados pode estar no que se chama de renovação da memória celular.

Segundo ele, no campo da fisiologia sutil são encontrados três corpos ou camadas do ser. A mais óbvia e palpável é o corpo físico. Além desse existem o corpo psíquico, que corresponderia ao intelecto, mente e emoções e o corpo ou causal ou energético amplamente ligado aos campos elétricos que atuam sob o nosso sistema nervoso.

É no âmbito energético, ou seja, no corpo causal que reside a nossa memória celular. Obviamente, a memória celular se manifesta de maneira diferente da memória “cerebral” que está ligada ao Hipocampo.  Não se trata, por exemplo, de lembranças e imagens mentais. Ela é sutil e atua no campo das vibrações. Ok, mas qual seria a relação desse conceito com os condicionamentos?

Bem, de modo geral temos o impulso de proteger e agradar o nosso ego. Quando encontramos uma forma de mimá-lo, nos sentimos bem e passamos a repetir essa formula mágica. Vamos dar exemplos. Muitas pessoas têm o hábito de reclamar da vida, do trabalho da política etc. Mas, se há tantas pessoas descontentes há de se imaginar que estamos na iminência de uma transformação radical da sociedade. Não é mesmo? E por que isso não ocorre? Simplesmente porque não reclamamos com a intenção de mudar as coisas e sim, pois queremos ressaltar o quanto sofremos e como temos que ser fortes para suportar tantas coisas ruins no mundo etc. Reclamamos para alimentar o nosso ego.

O grande problema é que essas atitudes vão alterando todo o nosso campo energético. Se temos o hábito de sermos deprimidos vamos nos carregando de energias negativas. Tornando o nosso corpo sutil cada vez mais denso. Se concordarmos que nosso corpo energético está vinculado ao sistema nervoso através do campo elétrico que atua sobre ele fica um pouco mais fácil entender como acontece.

No plano biológico são as nossas células nervosas que contém e fazem circular os impulsos elétricos em nosso corpo, bem como, toda nossa energia sutil. As pesquisas científicas já comprovam no entanto, que esse tipo de célula não se renova no corpo humano. Segundo o Yogui Jivan Vismay é por esse motivo que quando nos carregamo-nos com toda essa negatividade muitas vezes não conseguimos criar novos padrões energéticos. Se as células permanecem no nosso corpo por toda a vida, essa negatividade fica contida nelas a menos que de algum modo revertamos esse processo.

Se o corpo e a mente estão carregados de pessimismo e negatividade tudo o que for oferecido de positivo pode transforma-se em negativo. É como um círculo. Se eu tenho um cesto de frutas estragadas e coloco nesse cesto uma fruta fresca o que devo esperar que aconteça? Certamente a fruta que está fresca vai apodrecer. O mesmo ocorre com as pessoas. Como então revertemos esse processo? Em que o Yoga pode nos ajudar?

Yoga apresenta-se como uma alternativa confiável, porém, nada fácil já que nos leva a assumir a nossa parte no processo. È nesse sentido um caminho de responsabilidade e não de renúncia. Uma etapa importante é reconhecer que a resposta está em nós mesmos e somente em nós mesmos. Não podemos mudar nada que não dependa absolutamente de nós. Então se eu quero mudar o mundo, a mudança deve começar em mim. É impossível mudar os outros. Podemos somente mudar a forma como lidamos eles. Como os vemos. Por mais clichê que possa parecer, a resposta para todos os conflitos esta dentro de nós. Tudo o que vemos fora na verdade está aqui dentro.

Há um antigo ditado que diz que não se pode encher um copo que já está cheio. Então o primeiro passo seria fazer uma verdadeira faxina nessa negatividade para renovar a memória celular. Nos Sutras Patanjali fala da necessidade de conter a mente (Yoga chitta vritti nirodha). O objetivo principal dessa contenção é limpar a mente. Não podemos criar novos hábitos se não nos desfizermos dos antigos. De nada adianta fazermos lindas posturas de Yoga se nossos pensamentos estão envenenando o nosso corpo e alma. A meditação e a introspecção são importantes ferramentas para essa transformação interna.

Quando silenciamos a nossa mente podemos entrar em contato com a nossa essência que transcende todas as inquietações e negatividade. Assim podemos encontrar novamente o equilíbrio energético que perdemos e tornarmos mais conscientes de nossas ações e pensamentos. Uma mente tranqüila e consciente vai produzir ações conscientes e positivas. Gradativamente o corpo energético vai transformando-se e transformando todo o ser.

A meditação é uma fonte de energia muito intensa. Meditar é conectar-se a consciência suprema que reside em nós mesmos. Muitos têm dificuldade em encontrar em por si essa conexão com o todo transcendente. A maior dificuldade de buscarmos sozinhos essa mudança nos padrões energéticos é que para que isso aconteça é preciso uma fonte constante de energia  tranqüila e positiva muito poderosa. É por esse motivo que buscamos a figura do guru, principalmente os iluminados e realizados em vida. A figura do Guru é essencial para o desenvolvimento espiritual esteja o guru encarnado ou não. No Yoga há sempre um mestre e o discípulo. É guru quem conduz o seu aluno por todo o caminho espiritual até que ele esteja preparado para caminhar sozinho.

Não obstante o Yoga seja um processo de entrega e desapego do ego e mesmo que todos nós estejamos submetidos a implacável lei do karma, temos sempre a responsabilidade e o poder da escolha sob nossas ações e pensamentos. Não esqueça: Cada minuto que passa é uma nova chance de virarmos a mesa. A decisão é sua.

Namastê

Mariana Cordeiro

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