Muitas pessoas demonstram interesse em praticar yoga, mas acreditam não serem capazes de permanecer no estado meditativo ao final de uma prática. Meditar não exige esforço. Meditar é relaxar. Mas o fato é que temos que ter uma mente preparada, para conseguir chegar nesse estado de relaxamento. E é aí que a prática de yoga faz sentido.

Um sábio da antiguidade chamado Patanjali organizou o Yoga em oito partes, usadas até hoje pelos praticantes, que são: yama, niyama, ásana, pránáyáma, pratyáhára, dháraná, dhyána e samádhi.

Nesse caminho óctuplo, o primeiro passo é o código de ética yogue, contido nos yamas, as atitudes que devemos ter, e os nyamas, àquelas que devemos evitar. Os yamas são não violência (ahimsá), verdade (satya), não roubar (asteya), continência (brahmacharya) e não possessividade (aparigraha), e os niyamas são purificação (shauchan), contentamento (santosha), esforço sobre si próprio (tapas), auto estudo (swádhyáya) e entrega a Íshwara (Íshwara pranidhána).

O código de ética é a base da prática e, talvez o passo mais importante no sentido de preparar a mente para a meditação.

O próximo passo são os ásanas. Os ásanas são posturas que preparam nosso corpo físico ganhando força e flexibilidade suficientes para permanecer por longos períodos em meditação. Além disso, eles nos ajudam a liberar toda a tensão acumulada no corpo.

Em seguida temos o pránáyáma, conhecido como o controle e expansão da força vital através da respiração. Ásana e pránáyáma preparam o corpo sutil de forma a obter um equilíbrio energético fundamental para as técnicas seguintes.

Pratyáhára é a retração dos sentidos. É uma prática essencial, já que permite que o corpo se desligue dos estímulos externos a que estamos expostos, nos desvinculando do mundo exterior, e permitindo a nossa interiorização.

Os três últimos estágios, dháraná (concentração), dhyána (meditação) e samádhi (iluminação), também são chamados de samyama. No Ocidente, costumamos chamar esse estágio de meditação. É impossível se ensinar a meditar. É uma experiência única e individual, e não é possível descrevê-la.

O que se ensina são técnicas de preparação para a meditação. E, se a dificuldade está em chegar nesse ponto, toda a nossa prática, com base no caminho óctuplo de Patanjali, organiza nosso corpo-mente para facilitar esse relaxamento consciente e união com o Todo.

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