É muito comum que busquemos resposta para nossas questões essências em disciplinas como a História, Biologia, Física ou em teorias psicanalíticas entre outras. Digo de antemão que não há erro nisso.  Todas essas áreas do conhecimento poderão contribuir para o seu processo espiritual pois cada uma delas diz respeito a um aspecto do Todo.  Não podemos, no entanto,  esquecer que elas nos apresentam, como dissemos, uma parte, um ponto de vista. Quando dizemos que a Jnâna-Yoga é o Yoga do conhecimento não é a um saber acadêmico que nos referimos. O objetivo da prática está muito mais ligado ao processo de desenvolvimento da intuição e da sabedoria do que de uma erudição propriamente. Nesse sentido, a concretização desse conhecimento realiza-se por meio do exercício do discernimento e não pela simples aquisição de informações. Por meio desse discernimento é possível compreender e diferenciar os aspectos ilusórios da personalidade condicionada da verdadeira natureza humana.  Conhecendo a nossa verdadeira essência tornamo-nos capazes de realizar o dharma no mundo por meio da ação consciente.

Segundo o Tripura-Rahasya o fator mais importante para o sucesso nessa busca de auto-conhecimento é a aspiração pela emancipação. O estudo filosófico só ganha sentido quando alicerçado por um desejo sincero de libertação  que resulte em uma prática coerente. A necessidade dessa prática coerente foi descrita por Sadânanda no Séc. XV. No seu texto Vedânta-Sâra ele define quatro meios para a emancipação:

  1.   Viveka: Discernimento entre tudo aquilo que é permanente e o que é transitório;
  2.  Virâga: Renuncia do gozo do fruto das ações;
  3. Shat-sampatti: Possuir as seis perfeições;
  4. Mumukshutva: Desejo de libertação.

As seis perfeições descritas são:

Shama: Tranquilidade ou a capacidade de permanecer sereno diante das adversidades.

Dama: Controle dos sentidos que podem nos desviar de nossa meta pela busca de novos estímulos.

Uparatti: Abstenção de qualquer ação que não diga respeito à conservação do corpo e à sadhana.

Titikshâ: resignação em relação ao jogos de oposição e maniqueísmos.

Sâmadhâna: Concentração no objetivo em todas as situações.

Shraddhâ: Fé na Realidade Transcendente.

Se a principio a disciplina e as qualificações citadas por Sadânanda parecem inalcançáveis para um ser humano comum compreenda que elas não se diferem da essência da Consciência Suprema que é a essência de cada um de nós. O grande desafio dessa proposta é a nossa própria ignorância acerca de nós mesmos e a nossa incapacidade aceitarmos o Yoga(enquanto união) como propósito primordial de nossa existência humana. Ao contrario do que possa parecer o Jnâna Yoga não é uma via restrita como o caminho trilhado pelos cultos e eruditos. É o caminho das pessoas simples que não buscam os segredos do universo e sim a verdade no universo. A verdade divina de que nós e Ele somos Um.

Namastê,

Mariana Cordeiro

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