A prática de yoga tem como propósito o autoconhecimento. Mas o que de fato significa autoconhecimento? Vamos recorrer à Katha Upanishad, um dos shastras, escrituras que norteiam nossa prática de yoga, para o início dessa análise. Na segunda parte do texto é dito: “Além dos sentidos está a mente. Além da mente está a razão. Além dela está a individualidade. Além da individualidade está a Causa não manifestada. Além da Causa não manifestada está Brahman, onipresente e sem atributos. Aquele que percebe isto liberta-se do ciclo de nascimentos e mortes”. O que o professor, aqui representado por Yama, quer dizer é que o autoconhecimento como libertação é dar-se conta da sua verdadeira realidade como Brahman, ou como o Criador, presente no Universo inteiro.

Entretanto, um pouco mais à frente, nesse mesmo texto, é dito: “O estado unitivo não pode ser alcançado através de palavra, pensamento ou testemunho. Como pode Brahman ser alcançado, exceto por aquele que o percebe em si próprio?”. Isso significa que não é através da ação que vamos conhecer nossa verdadeira realidade. Yoga, a união, ou o reconhecimento de nossa realidade, é uma mudança cognitiva em que passamos a nos ver como o Todo, a Consciência que está por trás de tudo, ou além de tudo como diz o texto.

Então, de que adiantam as práticas de yoga e meditação? Já que são ações, e como foi dito no texto as ações não nos levam ao conhecimento, porque praticamos Yoga? A prática de yoga nos prepara para essa mudança cognitiva. Para que possamos conhecer aquilo que somos precisamos eliminar o que não somos. Então, precisamos inicialmente conhecer esse complexo corpo-mente. A prática de asanas trabalha de forma consciente nos bloqueios e condicionamentos acumulados em nossos corpos físico e sutil. Ela “limpa” nossos corpos da identificação com os nossos gostos e aversões. Com as técnicas de pránáyáma, pratyáhára e dháraná, que são os respiratórios, controle dos sentidos e concentração, passamos a conhecer o nosso corpo-mente. Identificamos suas tendências, condicionamentos, bloqueios e conhecemos o seu funcionamento. Para, a partir daí, passarmos a vê-los como nossos instrumentos de interação com o mundo, e a nos ver como a Consciência que dá vida aos instrumentos. E a consciência que está por trás de cada vida em todo o Universo.

Assim, compreendemos que o Yoga é ao mesmo tempo o meio e o fim. Aquilo que buscamos é Yoga, no sentido de União e reconhecimento da nossa realidade infinita e completa, chamada autoconhecimento. E ao mesmo tempo é o meio, ou o veículo que usamos para chegar a esse reconhecimento.

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