Sempre me perguntam isso..aqui vai minha consideração sobre essa questão…

Yoga te dá a possibilidade de assumir o “controle remoto” da sua mente. Nada mais poderoso do que tirar a mente do automático, criar a consciência de que o turbilhão de pensamentos que nos invadem a mente, são de fato passíveis de serem administrados, acalmados e com tempo de prática – silenciados. Imagine um indivíduo, que fica em frente à tv buscando incessantemente um programa…nada lhe satisfaz, mas ele permanece firme, metralhando incansavelmente seu controle remoto, de canal em canal, buscando algo que o interesse, cada apertar do botão, imagens novas surgem, sons diferentes, cenas que o levam a sentir a cada clique uma emoção diferente – raiva, alegria, excitação, medo…enfim, um turbilhão de pensamentos, coisas que trazem memória, ou pior, geram pensamentos destrutivos, persecutórios, angustias – tudo isso gera uma instabilidade incrível a nível físico e energético, nada do que passa pela mente passa ileso pelo corpo físico e energético. A questão de que o emocional afeta o físico já foi mais do que comprovada pela ciência, não se trata de conceito esotérico. Se o que buscamos é o “bem estar”, o equilíbrio, a felicidade, a libertação das dores e sofrimentos, ou como no mundo yogui – Samadhi, tudo isso pode ser alcançado com o controle da mente, com a interrupção destes pensamentos, mas como alcançar isso? Como se apossar de maneira consciente do nosso controle remoto?

A resposta: com o silenciamento dos sentidos (Pratyahara). O olfato, por exemplo, desperta memórias, nos fazendo lembrar da comida da nossa avó, de uma cidade que visitamos, de uma determinada pessoa, ou acontecimento do passado…mas também pode nos levar a imaginar/fantasiar coisas futuras. A visão gera estímulo direto, um exemplo bom é o da menina apaixonada, que ao ver o objeto de sua paixão, sente o coração acelerar, a temperatura subir, as bochechas corarem, as pernas tremerem…enfim, há todo um desencadeamento de emoções que geram imediatamente, efeitos físicos, além de levarem a um aumento grande de pensamentos, há toda uma agitação mental e física, e por certo, a nível energético, apenas com a visualização de uma pessoa. A audição é outra que é poderosíssima em nos afetar. Uma música nos faz lembrar de coisas ou fantasiar com outras, uma palavra de afeto nos sensibiliza e nos faz sentirmos um bem estar imediato, quem nunca experimentou isso com um “eu te amo” da pessoa amada? Enfim, o mesmo vale para o tato e paladar.

Portanto se conseguimos exercitar a concentração (Dharana), nos fechando ao mundo externo, afastando/neutralizando tudo o que os nossos sentidos nos geram de reação física, mental e energética, existe uma maior possibilidade de neutralizarmos por completo a interferência que o meio externo em nós. Daí então, ficamos nós e nossa mente, sozinhos, sem interferências externas. Percebe como você e a mente são duas coisas distintas? Você não é a mente, você é o observador. O próximo passo será, de forma consciente, ir afastando esses pensamentos de sua mente, quando eles surgirem, apenas classifique-os (pensamento destrutivo, persecutório, pensamento de alegria, etc). O importante é “ver” esses pensamentos como eles realmente são. O foco em algum ponto, parte do corpo, na respiração ou mesmo em mantras, colaboram muito a estabelecer uma condição ideal para meditação, e assim, atingir um estado de equanimidade.
Yoga prega a vivência no momento presente, sem amarras com o passado e sem expectativas com o futuro. O equilíbrio de corpo, mente e espírito vem justamente da capacidade de controlar a mente de modo que sejamos capazes de vivenciar a plenitude do agora.

Sem yoga, nossa mente tem o controle remoto em mãos, ela detém o poder de se controlar e automaticamente, te controlar. Com yoga, podemos assumir o controle remoto da mente, e assim, alcançar paz, liberdade, felicidade, Samadhi. E assim nos aproximar da definição dada por Patanjali: “Yoga chitta vritti nirodha”.

Drica Goes, Formada em publicidade, design de interiores e com pós em Artes Visuais, Drica se encantou pelo Yoga em 2003, quando começou a praticar no Instituto de Yoga Clássico de Campinas – SP. Morou na Índia entre os anos de 2005 e 2008, onde frequentou o Sri Vishwa Guru Deep Ashram em Jaipur – Rajastão, sob a orientação do Swami Gyaneshwar. Concluiu curso de formação de professores de yoga em 2013 no Instituto Ísvara, em Campinas. Participou de workshops com Gustavo Ponce, Rosangela Bassoli entre outros. Tem formação em Aerial Yoga com Sarah Clotworthy. Atualmente estuda Yogaterapia no Instituto de Yogaterapia em Campinas.”

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