Contam que quando Alexandre Magno estava a ponto de voltar da Índia para o seu país natal, a Grécia, lembrou-se de que havia prometido a Aristóteles, seu guia espiritual, levar-lhe um Saddhu verdadeiro, ou seja, um renunciante, uma pessoa que, tendo sacrificado família e amigos, consagrou sua vida a se conhecer. De fato, a palavra Saddhu significa “o que chegou” ou “o que andou pelo caminho”.

Saddhu

Aristóteles havia lhe dito que só era possível encontrar pessoas totalmente dedicadas a busca interior no Oriente. No Ocidente, o homem se preocupa com o exterior, em saber mais sobre o que acontece fora de si mesmo. Saber mais sobre as estrelas é uma busca exterior, científica. Mas quem eu sou de verdade? A pessoa que não sabe, jamais experimentará a verdadeira alegria, a verdadeira felicidade.

Alexandre enviou emissários a todos os cantos da Índia para que procurassem um verdadeiro Saddhu. Não foi uma tarefa fácil, pois na Índia não faltam charlatões e os que não o são se fazem passar por Saddhus. Todos os emissários voltaram com a mesma notícia: que em um lugar montanhoso, perto de certa aldeia, à beira de um rio, morava um verdadeiro Saddhu.

Alexandre enviou um dos seus ajudantes mais próximos para falar com o sábio. Quando este o encontrou, disse-lhe:

– Alexandre Magno deseja convidá-lo para ir a Grécia, seu país. Se aceitar, qualquer desejo lhe será concedido.
O velho sábio riu com vontade e lhe respondeu:
– Muito obrigado, mas é melhor que você diga a seu amo para ele mesmo vir aqui; não falo com serviçais.

O emissário era um general que havia passado por centenas de batalhas e participado da invasão de muitos países, porém, jamais havia encontrado alguém que falasse com tanta autoridade. Ele simplesmente emudeceu e deu meia volta. Ao retornar, disse a Alexandre:

– É melhor não se preocupar com esse velho louco. Ele não sabe o que é cortesia. Foi insolente comigo e acredito que fará o mesmo com o senhor.
– Qualquer pessoa que seja mal-educada comigo lamentará tê-lo sido. Irei até ele.

Quando Alexandre chegou, esteve frente a frente com o velho e este lhe disse:

– Então, você é o Alexandre, o Grande… Quem quer que se faça chamar “o Grande” não o é na verdade… O que você acha?

Alexandre automaticamente levou a mão a espada, mas algo o fez hesitar.

– Não vim para discutir, vim para convidá-lo a ir a Grécia, pois o meu mestre assim o pediu.
– Eu sou como o vento… você não pode convidar o vento… ele vai e vem sozinho. Se sentir vontade de ir, irei, mas não porque tenha me convidado…

Alexandre, furioso, tirou a espada e disse:

– Se não vier agora, corta-lhe-ei a cabeça!

O velho Saddhu deu uma enorme gargalhada, que foi ouvida em todo o vale.

– Faça! Sempre tive curiosidade de ver a minha cabeça rolar. Não sou o homem que você vai matar, pois não tenho nada a ver com a minha cabeça; quando ela cair, ambos a veremos cair. De outra forma, cedo ou tarde, ela cairá e, agora, todos saberão que Alexandre, o Grande teve de obedecer as minhas ordens… Corta-a agora! – disse o Saddhu como se estivesse ordenando que cortassem a cabeça de outra pessoa.

Alexandre Magno, que já havia cortado centenas de cabeças, simplesmente não conseguiu fazê-lo. Sua espada voltou a bainha.

– O que foi? – perguntou o velho.
– Sinto muito – respondeu Alexandre – Não sei o que acontece comigo. Nunca havia conhecido alguém que realmente se conhecesse. Fico feliz de tê-lo conhecido. Falarei de você ao meu mestre.

 

Por que é tão difícil conhecer a si mesmo?

– Porque a mente está cheia de ideias sobre como somos. A mente as acumula com o passar dos anos por meio dos ensinamentos religiosos e da sociedade em geral, porém, nenhuma das ideias que temos sobre nós mesmos reflete a verdadeira essência do que realmente somos, pois o verdadeiro ser que mora dentro de cada um não pode ser contaminado nem preso.

 

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FONTE:
PONCE, Gustavo – Contos da Índia Sinfonia para a Alma, Ed Madras, 2009

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