O medo é um sentimento desagradável, de risco indesejado ou antecipado do perigo percebido, seja real ou irreal. É uma das emoções básicas. O homem por natureza herda ou desenvolve algum grau de medo. Pode ter medo de qualquer coisa: de inícios, de fins, de locais fechados, de mudança, de falar em público. O medo é a base dos distúrbios de ansiedade e desencadeamento de fobias. Quando o medo surge, é um start para que o equilíbrio se perca, e com ele, a paz interior e a qualidade de vida.

Já a alodoxafobia é um transtorno que afeta 8% da população entre 16 e 24 anos. É um medo exagerado dessa opinião alheia e não fundamentado, que surge em determinadas situações que enfrentamos. Pode também se relacionar a necessidade de ser observado, avaliado e aprovado. Levada ao nível do distúrbio, a pessoa passa a acreditar que todos estão olhando para ela, o tempo todo.

 

Para que haja a cura, é indicado que a pessoa inicie um processo de mergulho intenso no autoconhecimento, através de terapia com profissional capacitado, yoga e meditação.Se for o desconforto que chame a pessoa para uma conexão com a vida interior, que isto seja então interpretado como um presente e uma oportunidade de transformação. Assim ela pode iniciar um processo de observar a própria natureza da sua mente, o que acaba sendo uma aventura libertadora.

Chamo a atenção para a relação do Yoga nesse processo, que é é bem interessante: quando estamos em uma postura, o ideal é não passear com os olhos para não se desconcentrar do foco e assim manter sua equanimidade tanto física quanto mental. Esse “treinamento” vai despertando nossa segurança interior e nossa força para lidar com as adversidades do mundo lá fora. Um outro ponto chave nesse processo é o do Yoga, principalmente com os pranayamas, nos trazer para o momento presente. Isso acaba melhorando muito nossas ansiedades e medos, que basicamente é quando estamos desconectados do nosso estado de presença. Com o tempo o praticante vai se tornando um observador de sua mente, e não passa a ser mais controlado por ela. Assim, os pensamentos que surgem, que podem ser de dor e desconforto, vêem, você observa, e os deixa ir… como nuvens no céu. Esse exercício que alguns professores ensinam como se fosse uma introdução a meditação, é fantástico a curto e longo prazo.

Uma vez li um texto no qual um Swami dizia que quando nós nos libertamos da necessidade de controlar, inclusive as próprias opiniões dos outros a nosso respeito, esse problema cessa. Pois “damos” então o direito aos outros de eles pensarem o que tiverem que pensar a nosso respeito. Ele detalhou que usava roupas laranjas, diferentes, e ouviu alguém dizer sobre ele na rua “aquele é um vagabundo.” Quando questionado a esse respeito, ele disse: “a pessoa tem o direito de pensar qualquer coisa, e manifestar isso.”

Então deixo algumas (também libertadoras) reflexões do filósofo indiano Osho que, na minha opinião, é uma grande professor para quem busca esse autoconhecimento, paz, liberdade e interiorização:

“As pessoas vivem toda a sua vida a acreditar no que os outros dizem, dependentes dos outros. É por isso que têm tanto medo da opinião dos outros. Se eles pensam que você é mau, torna-se mau. Se o condenam, começa a condenar-se. Se dizem que é pecador, começa a sentir-se culpado. E, como depende da opinião deles, é obrigado a conformar-se constantemente com as suas opiniões; senão eles mudarão de opinião. Isso cria uma escravidão, uma escravidão muito subtil. Se quiser ser considerado bom, digno, belo, inteligente, tem de fazer concessões, tem de se comprometer continuamente com as pessoas de quem depende.

E levanta-se um outro problema. Como há muitas pessoas, elas estão sempre a alimentar a sua mente com diferentes tipos de opiniões — opiniões conflituosas, ainda por cima. Uma opinião a contradizer outra opinião — daí que exista uma grande confusão dentro de si. Uma pessoa diz que você é muito inteligente, outra pessoa diz-lhe que é estúpido. Como decidir? Então fica dividido. Fica com dúvidas sobre si próprio, sobre quem é… uma ondulação. E a complexidade é muito grande, porque há milhares de pessoas à sua volta.

Você está em contato com muitas pessoas e cada uma delas põe a sua ideia na sua mente. E ninguém o conhece — nem você mesmo se conhece. Tem muitas vozes dentro de si. Sempre que se pergunta quem é, surgem muitas respostas.

Algumas dessas respostas serão da sua mãe, outras serão do seu pai, outras ainda do professor, e assim por diante e assim sucessivamente, e é impossível decidir qual delas é a resposta certa. Como decidir? Qual o critério? É aqui que o homem se perde. Chama-se a isto ignorância de si próprio.

Buda de fato já o chamou de o rugido do leão. Quando o homem chega num estado de absoluto silêncio interior, ele ruge como um leão. Pela primeira vez, ele sabe que a liberdade provém do fato de não ter mais medo da opinião de ninguém. O que as pessoas dizem não importa. Se eles o consideram um santo ou um pecador é irrelevante.

Não é uma questão de ter de encarar uma pessoa; você tem que encarar as árvores, os rios, as montanhas, as estrelas – o universo inteiro. E esse é o nosso universo, fazemos parte dele. Não é preciso ter medo dele, nem lhe esconder nada. O todo já sabe de tudo, o todo sabe mais sobre você do que você mesmo. E, no momento em que a pessoa sabe que está totalmente livre para ser ela mesma, a vida começa a adquirir um certo dinamismo.”

“Nenhum inimigo poderá te causar tanto dano quanto teus próprios pensamentos.” (Buda)

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