É fato que o Yoga, além de trazer incontáveis benefícios já bastante difundidos, transforma as pessoas em suas percepções, reações e comportamento. Além de aguçar nossos sentidos, por ser uma prática mais silenciosa e resgatar nosso ritmo de viver natural (e não artificial, imposto por condições externas), o que trabalhamos em nível físico reflete psiquicamente de uma maneira considerável. Ao longo da prática, podemos perceber que a flexibilidade requisitada para as posturas vai penetrando em nossas mentes e refletindo em nossas ações, que a introspecção e o olhar para si mesmo em algumas posturas sentadas traz uma maior auto consciência, que o “olhar por outro ângulo” das posturas invertidas minimizam o efeito de nossa rigidez e julgamentos, que a força e firmeza exigida nas posturas em pé se refletem em determinação e autoconfiança…
Sim, quem pratica Yoga vive melhor! E qual o “mistério” do Yoga que deixa as pessoas mais felizes?
Stephen Cope é terapeuta e diretor do Institute for Extraordinary Living no Kripalu Center for Yoga and Health em Massachusetts. Lá, ele comanda um programa intitulado “O Yoga e o Cérebro”, cujas pesquisas estudam o efeito do yoga no cérebro com ressonância magnética e outras técnicas. Cope explica que o yoga traz mudanças significativas no sistema nervoso simpático do corpo – aquele responsável por estimular ações, como de “luta ou fuga”, em resposta às situações de estresse. O Yoga ajuda o corpo a diminuir essa resposta ao estresse, reduzindo os níveis do hormônio cortisol, que não é somente o combustível para as nossas reações ao estresse, mas que também pode causar estragos no corpo quando está em estresse crônico.
O Yoga também aumenta os níveis de substâncias que nos fazem sentir bem, como o GABA (Ácido gama-aminobutírico), a serotonina e a dopamina, que são responsáveis por nos sentirmos relaxados e satisfeitos. Todos esses três neurotransmissores são os principais utilizados em medicamentos que controlam o humor, como antidepressivos e ansiolíticos. O fato do yoga estar associado ao aumento dos níveis dessas cobiçadas substâncias químicas no organismo não é nada desprezível.
Ainda há outro bônus, diz Sarah Dolgonos, doutora em medicina, que dá aulas na Yoga Society of New York’s Ananda Ashram. Ela aponta que além de suprimir a resposta ao estresse, o yoga estimula o sistema nervoso parassimpático, que nos acalma e restaura o equilíbrio depois que uma situação de estresse chegou ao fim. Quando este sistema nervoso é ativado, “o sangue é direcionado em direção a glândulas endócrinas, órgãos digestivos e circulação linfática, enquanto a frequência cardíaca e a pressão arterial são reduzidas”, diz Dolgonos. Ainda, com o sistema nervoso parassimpático em funcionamento, “o nosso corpo pode extrair melhor os nutrientes dos alimentos que comemos, e mais efetivamente eliminar toxinas, já que a circulação é aumentada. Com a ativação parassimpática, o corpo entra em um estado de restauração e cura”.
Também há um consenso que o yoga melhora o sistema imunológico, diz Dolgonos. Esse benefício provavelmente é causado devido a redução do cortisol, mencionado anteriormente: o excesso desse hormônio pode diminuir a eficácia do sistema imunológico “imobilizando algumas células brancas”. A redução do cortisol na circulação “remove a barreira para um eficaz funcionamento da função imunológica”, sendo assim, o yoga ajuda na prevenção de doenças, já que melhora a imunidade.
Vale lembrar que o Yoga é para todos: obesos, deficientes físicos, crianças, idosos, todos podem se beneficiar de uma prática bem estruturada a suas condições atuais, supervisionada por um profissional competente.

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