Gostaria de iniciar o texto hoje agradecendo aos leitores pelos e-mails carinhosos sobre o último post Yoga e Ansiedade. Fiquei surpresa com o número de pessoas que se identificaram com a leitura. Agradeço a interação. Podem escrever sempre: responderei a todos.
As perguntas mais frequentes que recebo dizem respeito ao modo como as pessoas devem meditar. Muitas alegam não conseguir, uma vez que têm dificuldades em acalmar a mente, sempre atravessada por pensamentos e angústias cotidianas.

Vamos lá:
Se puder, procure uma escola perto de você e, antes, se oriente com um professor. Começar a meditar em grupo é mais simples, pois a energia de todos( Sangha) ajuda no processo de concentração (Dharana), que é o primeiro passo antes de chegar à meditação (dhyana). O professor sempre orienta com várias técnicas que ajudam no processo de acalmar a mente, aumentando o poder pessoal de concentração do praticante. De qualquer forma, se não há uma escola perto da sua casa ou se seus horários não batem com as práticas que acontecem por lá, aqui seguem algumas dicas para meditar sozinho.

Primeiro passo:

Antes de começar, saiba que a meditação é um método para treinar corpo e mente e o resultado só acontece se você praticar todos os dias com disciplina e perseverança. Não adianta meditar uma vez por semana e achar que conseguirá resultados dentro de um mês. Pode até acontecer para algumas pessoas, mas é muito raro. É bom lembrar também que somos seres em evolução, e que sofremos ups and downs. Isso afetará a nossa prática, mas o importante é ter a certeza de que daremos continuidade, independente do que aconteça. É imprescindível reservar um tempo para a prática diária, criando uma rotina por um longo período de tempo.
Geralmente quando iniciamos um Sadhana (prática), nós, os Sadhakas devemos mantê-la sem quebrar o ciclo por, no mínimo, 40 dias (iniciantes, 21 dias). Então tenha em mente que você vai precisar manter esta rotina por um período de, no mínimo, 21 dias. Isso é importante para quem almeja iniciar a prática.

Segundo Passo:

Escolha um lugar na sua casa onde você possa criar a energia do seu templo sagrado. No seu lugar de silêncio, procure ascender um incenso e, se puder, coloque uma música relaxante, que vai lhe ajudar a entrar numa sintonia mais sutil e lhe trazer para o presente.

Terceiro Passo:

Procure sentar numa postura confortável. Pessoas que têm alguma deficiência, ou lesão e não conseguem ficar sentadas no chão podem meditar sentadas na cadeira. O importante é achar uma postura confortável e na qual seu corpo não fique tenso, enquanto medite. É importante, depois de encontrar a melhor posição, alinhar o corpo, mantendo a coluna ereta de maneira a deixar a energia fluir naturalmente. A coluna, também conhecida como Kundalini no Yoga, é o nosso principal canal de energia do corpo. É importante a mantermos sempre alinhada.

Quarto Passo:

Respire e traga sua atenção à respiração.

Quinto Passo:

Esteja atento ao seu redor. Procure despertar os sentidos e se concentrar no presente. Procure ouvir os sons do entorno. Por mais que haja muito barulho de carro ou pessoas, por exemplo, procure ficar atento a estes sons e ao impacto vibracional que eles exercem sobre seu emocional. Perceba que apesar da poluição sonora de São Paulo, sempre há pássaros cantando. Com a beleza de estar atendo, você aprende a filtrar o que realmente importa para seu corpo e mente, e quando menos espera, muitos sons que te incomodavam, já não são tão perturbadores assim.

Sexto Passo:

Essa recomendação vai principalmente para as pessoas que se identificam com a questão dos pensamentos. Primeiro: não brigue com sua mente, você nunca vai ganhar dela desta forma. Não tente impedir seus pensamentos de virem à tona enquanto você tenta meditar.

Por exemplo, certa vez uma aluna me disse em sala de aula:
– Professora, sempre tento meditar, mas quando me vejo estou aqui lembrando que preciso ir ao supermercado e, quando menos espero, já estou fazendo a lista do que preciso comprar mentalmente.
Minha resposta a ela foi a seguinte: Não há problema se o pensamento sobre ir ao supermercado mais tarde vier à tona. Observe-o. Lembre-se de que agora, seu foco é você mesma, seu corpo e sua meditação. Dessa maneira, a preocupação com as compras não vai dispersá-la e você poderá fazer a lista depois da prática, por exemplo.
Precisamos treinar a nossa concentração antes de começar a meditar. Para isso é necessário criarmos um ser observador interior que acolha tudo que vier e nos veja por inteiro. Quanto maior e mais forte se tornar este ser observador, mais preparados estaremos para dar os primeiros passos na meditação.

Sétimo Passo

É muito difícil começar a meditar sem técnica nenhuma, daí a necessidade de ter um professor. Algumas pessoas usam mantras, outros meditam de olhos abertos (como no zen budismo) outros meditam com dança, mandalas e inúmeras outras técnicas.
Uma das técnicas que sempre ensino para meus alunos é a Inspiração Alternada (NadhiShodana): Inspire por uma narina e Espire pela outra; a mesma que você espirou, inspire novamente e vá alternando. Faça isso por, no mínimo, 1 minuto e no máximo 5 minutos. Comece assim: respirando. Depois de 21 dias, tente outra técnica. Procure também observar o bem-estar trazido pela consciência de cuidar de si todos os dias.

Boa Prática.
Namastê

Deixe uma resposta

Seu email não será publicado.

You may use these HTML tags and attributes:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>