Numa tarde ensolarada de primavera chegou até mim um questionamento: “ Por que você faz Yoga? ”.  A resposta imediata foi a mais simples que poderia surgir: “Porque me faz bem!”

Quando enquadramos o Yoga simplesmente como algo que nos faz bem, limitamos nossas escolhas ao mesmo patamar do que faz meu gato escolher minha cama para se deitar, ao invés do tapete… é porque faz bem!

O Yoga é uma prática que indiscutivelmente traz diversos benefícios: alonga, fortalece, concentra, relaxa, aquieta. Porém, Patanjali nos alerta que um dos motivos do nosso sofrimento é RAGA, o gosto, o apego por aquilo que nos dá prazer. E o que estamos fazendo ao praticar yoga apenas pelos seus benefícios imediatos, senão intensificar nossa relação com raga?

O que aconteceria se um dia a prática lhe causasse inquietação ao invés de lhe acalmar? Se lhe trouxesse mais tensão do que relaxamento? Viria um sentimento de aversão? Viria um pensamento de “eu não gostei da prática hoje”?

A aversão, DVESHA, também é uma das causas de nosso sofrimento, segundo Patanjali.

Diante desse cabo de guerra entre gosto e aversão, onde repousa a experiência?

yoga flower

Todos os animais, inclusive nós, entidades biológicas com capacidade de linguagem, são dotados de instinto, tendências comportamentais anteriores à razão e, em grande medida, guiadas por raga-dvesha.

Então, o que motiva as suas escolhas seria o seu instinto? O que motiva as suas escolhas é diferente do que motiva as escolhas do seu pet, do ratinho do laboratório, da formiga subterrânea? O seu instinto é o que guia a sua escolha por querer fazer aquela aula que fortalece o abdome, lhe ensina a respirar, relaxar e, de quebra, ainda a se concentrar?

A condição humana possibilita perceber que a felicidade independe da transitoriedade das sensações, do prazer e da dor, mas sim do quanto as experiências nos aproximam da natureza plena do Ser.

Subjugar a prática do yoga a este ou àquele benefício limita a própria prática.

Que mais do que uma forma de se exercitar, que mais do que uma forma de livrar o corpo das toxinas, que o Yoga seja um meio para você se conhecer e ser feliz, independente dos altos e baixos na vida ou no mat.
Que o Yoga seja uma forma para aproximar a mente da plenitude que vem do coração e que isso motive suas escolhas.

Namastê,

– Marina Sena

Yogini por dedicação, Quiropraxista por formação e Gateira de coração! Olha a vida como uma oportunidade de expressar a verdade que carrega por dentro e pratica o Yoga como a chuva que molha a terra para despertar o potencial da semente. Ministra aulas regulares de Hatha Yoga para adultos e crianças em São Paulo.

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