Segundo Pattabhi Jois, o Ashtanga Yoga assenta na combinação de séries progressivas de posturas e respiração, há quem opine que o Ashtanga é só isso, físico! Na maioria são pessoas que não o praticam ou então não têm uma prática sincera, contínua e sem interrupções. A profundidade desta prática é semelhante a um iceberg, 90% está escondido por debaixo de água. É realmente necessário subir ao tapete e desenvolver a prática dia após dia, aprendendo a estar presente e vivenciando as posturas mais do que apenas fazê-las.

Como OP Tiwari diz ” Yoga é a ciência da experiência, a arte de viver…”, não irá atingir outro estado de consciência nem qualquer um dos inúmeros benefícios do Yoga, só porque viu as sequências de asanas num papel ou até leu alguns livros sobre o Yoga.

O praticante aprende as posturas e ao mesmo tempo é encorajado a focar a sua atenção na respiração, posteriormente interioriza os dristhis (a onde dirigir o seu olhar) começando a adquirir algum controlo mental, daqui é-lhe ensinado os bandhas (contracções que ajudam a conduzir a energia num movimento ascendente, permitindo que esta não se disperse), que obrigam o aprendiz a um maior grau de concentração. Por este conjunto de técnicas ele sentirá uma força interna e em última instância a tranquilidade necessária para a meditação.

De acordo com os Yoga Sutras de Patanjali, Mr. Iyengar escreve: ” The obstacles to a healthy life… are disease, indolence of body and mind, doubt or scepticism, carelessness, laziness, failing to avoid desires and their gratification, delusion and missing the point, not being able to concentrate on what is undertaken and to gain ground, and inability to maintain concentration and steadiness in practice one attained. They are further aggravated through sorrows, anxiety or frustation, unsteadiness of the body, and laboured or irregular breath ” (retirado de ” Yoga sutras de Patanjali “, escrito por B.K.S Iyengar).

Só por uma prática regular é que você conseguirá superar estes obstáculos, pela repetição das posturas aliadas á respiração cultivará uma fluidez e leveza na prática que o conduziram a uma meditação em movimento. É a profundidade da prática que origina as transformações físicas, mentais, emocionais e morais que o encaminharam para uma vida mais saudável, simples, consciente e feliz.

*Manel Ferreira, Ashtanga Cascais, 2007

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