1. Não violência (ahiṁsā)

Em sânscrito, o prefixo “a” significa “não”, enquanto “himsa” significa “causar dano, injuriar, matar ou perpetrar violência em qualquer de suas formas.” Ahiṁsā, portanto, o primeiro e o mais importante dentre os yamas, é a prática de não causar dano ou cometer violência.

Os sábios nos dizem que a chave para ahiṁsā é manter relações harmoniosas com o mundo e uma vida interior tranquila. Porém, em um nível para profundo, ahiṁsā é menos um processo consciente do que uma consequência natural da prática de yoga. Na medida em que nossa jornada se desdobra, nos conduz à consciência da paz e a uma essência mais tolerante do que a da nossa verdadeira natureza; sendo o desejo de evitar o dano uma expressão espontânea dessa consciência.

Começarmos a perceber que o eu interior dos outros é idêntico ao nosso próprio e não desejamos que algum atinja nenhum ser vivo.

De acordo com os sábios , quando a prática de ahiṁsā é plenamente abraçada, emerge uma autoconfiança que é profundamente enraizada e surpreendentemente poderosa.

PROPOSTA: até nosso próximo encontro, pratique ser mais gentil, aceitando e perdoando mais a si mesmo e aos demais, observando que reflexos isso traz para sua vida.

2. Honestidade (satya)

A palavra sat em sânscrito significa “aquilo que existe, aquilo que é”. Satya, por sua vez, significa veracidade: ver e contar as coisas como elas são, ao invés de como nós gostaríamos que elas fossem. Vai ainda mais longe seu escopo, porque significa também ser honesto, leal, sincero, não proferir palavras com duplo sentido ou que possam ser mal interpretadas, a distorção da verdade, enfim, qualquer mecanismo em que a verdade possa ser alterada.

PROPOSTA: até nosso próximo encontro, aprenda a reconhecer internamente a cascata de medos e outras emoções negativas que o impelem a distorcer a realidade, em outras palavras, a torcer a verdade. Uma vez que tenha entendido e processado esses medos, seus pensamentos, palavras e ações poderão ser realinhados de acordo com a verdade, mesmo para olhar seus desejos e necessidades com mais profundidade. Externamente, evite falar inverdades e fale de modo gentil, piedoso e claro. 

3. Não roubar (asteya)

A palavra steya significa roubar e, antecedida pelo prefixo a, significa não roubar. De fato, a palavra asteya tem um significado ainda mais amplo que não roubar, porque se refere a não furtar e não apropriar-se indevidamente também.

Estamos mais acostumados a associar roubo com objetos tangíveis, mas objetos intangíveis, como informação e favores emocionais, são mais comumente objeto de apropriação indevida em nosso mundo.

PROPOSTA: até nosso próximo encontro pratique dar, porque o impulso de apropriar-se deriva do sentimento de infelicidade, falta de completude e inveja. De dinheiro, comida, tempo, atenção, amor, compaixão, o que estiver ao seu alcance. Em virtude da fortuna ser, ao fim e ao cabo, um estado mental, você se sentirá crescentemente afortunado e, por meio da doação desinteressada seu sentimento de riqueza interior poderá trazer riqueza exterior. Certamente trará satisfação.

4. Moderação dos sentidos (brahmacarya)

A tradução literal de brahmacharya é “andando na consciência de Deus”. Traduzindo em termos práticos, isto quer dizer que brahmacharya é levar a mente para o interior, equilibrando e supervisionando os sentidos, o que conduz à libertação das dependências e desejos.

Os sábios dizem que quando a mente está livre do domínio dos sentidos, os prazeres dos sentidos são substituídos por felicidade interior.

PROPOSTA:  pratique fazer escolhas sábias com relação aos livros e revistas que lê, filmes a que assiste, companhias que mantêm, o que e o quanto come. Fazer escolhas sábias irá conservar sua energia e manter sua mente focada e dinâmica. Seja moderado em todas as atividades sensuais a fim de não entregar-se a elas, mantenha-se comprometido e fiel a um relacionamento que seja mutuamente apoiador: isto é metade do caminho para brahmacarya. 

5. Não possessividade (aparigraha)

Graha significa avidez e pari significa coisas, portanto, aparigraha significa não ser ávido por coisas ou não ter o sentimento de posse. Auxilia-nos a alcançar uma relação equilibrada com as coisas que cada um de nós chama de “minhas”.

Uma máxima do yoga diz que “todas as coisas do mundo são suas para serem usadas, mas não para serem possuídas.” Esta é a essência de aparigraha. sempre que nos tornamos possessivos, em retorno somos possuídos, presos pelo ânsia por nossas coisas e ávidos por mais. Mas quando fazemos bom uso das posses que nos cabem e as aproveitamos sem tornarmo-nos emocionalmente dependentes delas, então elas nem exercem domínio sobre nós nem nos conduzem a falsas identificações e expectativas.

PROPOSTA: examine suas próprias tendências em direção ao sentimento de posse. Você cuida melhor de um objeto que está na sua posse do que de um que pertence a outra pessoa? Você adquire mais coisas do que pode utilizar? Você depende demais dos outros, dá mais de si em um relacionamento do que seria saudável para você, substitui o dar e receber mútuo pela necessidade de controle mesquinho ou tenta aumentar sua autoestima por meio da conquista do amor de outra pessoa? A prática da não possessividade nos ajuda a examinar nossas pretensões e nos guia de volta para relacionamentos saudáveis com outras pessoas.

Namastê!

Deixe uma resposta

Seu email não será publicado.

You may use these HTML tags and attributes:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>