Alguns dos Upanishads descrevem em detalhes as práticas meditativas e contemplativas para encontrar a unidade. Pensado ser parte do movimento upanisadico, o Bhagavad Gita, ou Canção de Deus, explora o mistério da mente, fornecendo um conjunto de princípios orientadores para uma vida de ação consciente. Embora possa ser baseado em um evento histórico, o simbolismo do Bhagavad Gita é um guia para a libertação espiritual. A chama do desejo e das manifestações do ego criam conflitos internos que nos impedem de atingir a iluminação ou auto-realização. As práticas descritas no Bhagavad Gita oferecem um caminho para a “paz interior”, através da conexão com o divino. A paz interior reside dentro de nós, mas o barulho desmedido constante da mente e `do “Eu” nos mantém distantes desta consciência.

A história se desenrola no meio do épico Mahabharata como uma conversa entre o príncipe Arjuna e seu cocheiro, Krishna. Espiando pelo campo de batalha, Arjuna vê aqueles que conhece e ama. Eles tentavam matá-lo e fizeram sua vida miserável, mas ele acha que é errado lutar na guerra e matá-los para reconquistar o reino. Ele se vira para Krishna para obter conselhos. Krishna expõe a ideia de dharma ou maneira certa de viver. Ao se identificar com o “eu” imortal, com brahman, a consciência divina final, podemos transcender nossa mortalidade, a nossa ligação com o mundo material e viver no amor do infinito. Com Arjuna querendo abster-se da ação, Krishna adverte que é através da ação que o nosso dever e natureza divina se manifesta. Para esclarecer esse ponto, Krishna explica os três caminhos yogue correspondentes aos dharmas associados com as naturezas variadas das pessoas.

Karma Yoga: O yoga do serviço. Traduzido literalmente como o caminho da “união através da ação”, karma yoga envolve agir sem levar em conta o desejo ou necessidade egoísta. Diz Krishna, purifica a mente e torna mais clara a natureza divina da existência de uma pessoa:

“A liberdade da atividade nunca é alcançada pela abstenção da ação. Ninguém pode ser perfeito por apenas deixar de agir.  O mundo está preso em sua própria atividade, exceto quando as ações são executadas como adoração a Deus. … A recompensa de toda ação deve ser encontrada na iluminação. ”
 

Jnana Yoga: O Yoga do conhecimento. Exercitando as faculdades de discriminação e desapego, é possível transcender as limitações temporais que ocupam o “Eu” mente. Krishna explica que jnana yoga traz um intelecto que livra de delírios e cria uma consciência da diferença entre o corpo e a alma. Nessa consciência, torna-se indiferente aos resultados de todas as ações através do conhecimento do absoluto.

Bhakti Yoga– O yoga da devoção. Ficar constantemente em contato com Deus, o yogue bhakti, nas palavras de Krishna, é guiado pelo amor e pura inocência na vida espiritual:

“Envolver-se em sua mente sempre pensando em mim, se torna meu devoto, oferecer reverências a mim, me adorara. Sendo completamente absorvido em mim, certamente você virá a ser eu. “

As principais atividades desta prática estão em cantar nomes e histórias de Deus das escrituras, meditando em Deus, prestando serviço altruísta, oferecendo oração e outros meios de sempre estar em um estado de puramente dedicado e amoroso.

Para o praticante dos tempos atuais  , relacionar estes três caminhos do Yoga pode parecer um grande desafio. No entanto, podemos fazer algumas conexões significativas entre esses caminhos e como vivemos, que tem uma relação imediata e vital para as qualidades que trazemos para a nossa pratica.

  • O ato de se comprometer completamente com a pratica pode ser uma forma de karma yoga, entendendo suas necessidades e intenções para concertar seus esforços na expansão e aperfeiçoamento de suas habilidades e conhecimentos.
  • Jnana yoga é um caminho mais difícil: envolver-se em um profundo e rigoroso, mas compassivo processo de auto avaliação traz clareza a sua mente e coração, que por sua vez proporciona uma maior clareza para sua pratica .
  • Se o caminho é o do bhakti yoga, ficar imersa em um senso de conexão com os sons e sensações de seus guias espirituais se manifestará na voz e amor que você compartilha com as pessoas em sua volta.

Tomando esses caminhos é mais importante lembrar que o Yoga é muito mais do que a prática feita no estúdio, que a vida do Yoga se estenda bem fora da esteira e para o mundo a cada dia. Neste integração e expressão de yoga na vida, o caminho do praticante é mais plenamente expresso.

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