Este ano, enquanto ministrava minha primeira formação de Yoga, cheguei a questionamentos que despertaram ainda mais o meu interesse na pesquisa dessa filosofia tão complexa. Primeiro, as diferentes abordagens, o Yoga de Patanjali com os 8 pilares do Ashtanga, bem similar aos 8 caminhos nobres do budismo.

Segundo, o tempo — a mistura de um pouco do Ayurveda, do budismo, a questão ética que para mim sempre soou um pouco religiosa.  Muitas perguntas vieram e, mesmo achando algumas respostas durante as aulas de formação, aqui dentro, não me convenceram totalmente.

E por essa razão quis vir a Índia estudar mais, praticar mais, conversar com velhos santos que você só encontra ao acaso, quando a vida acha que você tem o merecimento para receber um determinado conhecimento. Minha terceira vez na Índia. Desta vez, a família de um grande amigo indiano me recebeu e, graças à ajuda deles, algumas portas se abriram. Conhecendo pessoas simples,  daquelas que só ensinam quem querem, para quem querem e numa tarde qualquer, com um chá masala na mão. Você pode fazer qualquer pergunta e a resposta nunca será algo que você esperava.

O meu universo do Yoga finalmente começou a fazer mais sentido. As coisas que me ensinaram e que aprendi em alguns livros, já fazem parte de um aprendizado que com certeza não usarei muito daqui para frente. Minha iniciação no Tantra foi algo bem mais simples do que esperava, nada relacionado ao sexo. É vida, é simplicidade, é respeito aos limites — tirou toda a complexidade das minhas práticas. Aqui na escola tântrica onde estou, pratico Kalari duas vezes ao dia. Segundo os antigos, é prática das artes marciais dos yogis guerreiros. Pois é, venho me achando nessa arte, talvez por que a minha história vem um pouco da força, da superação, do nada — e aqui estou. Realizando coisas que jamais imaginei realizar.

À tarde, no meu tempo livre, fico na biblioteca da escola e me deparo com vários livros de Yoga.  Resolvi pegar uma publicação do Yoga Pradipika para comparar com a publicação que tenho no Studio Yoga Integral; o livro com comentários do Swami Satyananda Saraswati, da escola Bihar Yoga, traduz exatamente o que sempre senti sobre o yoga e ninguém na minha formação na Austrália havia conseguido me dar uma resposta convincente e palpável. Sempre questionei a similaridades do yoga e da religião, e os porquês de tantas nuances entre elas. Eis as respostas.

Para Swami Satyananda Saraswati,

Yama e Nyyama, tem muito mais a ver com a religião do que com o caminho espiritual de uma pessoa.

Com sua experiência a vida tem lhe ensinado que, para praticar Yama e Nyama, disciplina e auto- controle, certas qualidades da mente são necessárias. Podemos observar isso quando tentamos praticar auto controle e disciplina. Muitas vezes criamos bem mais problemas em nossa mente e personalidade. Antes de começar a praticar auto controle e disciplina, você deve se preparar por um tempo.

Se não há uma harmonia criada na personalidade, auto controle e auto disciplina irão criar muito mais conflito do que uma mente calma. Os princípios da filosofia e do Yoga de Pantajali foram ensinados nos mesmos princípios da religião, e não assiste ao homem que confronta o dilema da sua própria evolução. E, segundo ele, Pantajali vem da mesma época da era do Budismo aqui na índia, tendo sofrido influências dessa filosofia.

 

No Hatha Yoga Pradipika a primeira coisa que vemos é que Swatmarana não se preocupa com a questão do auto controle e da auto disciplina em forma de Yama e Nyama. Aqui o assunto é bem diferente: ele começa dizendo que precisamos purificar todo o corpo, o estômago, o intestino, o sistema nervoso  e, por esta razão, Shatkarma vem primeiro, como por exemplo a prática de neti, dhauti, kapalbhati, trataka e nauli.

Yoga deveria começar com essas práticas. E só a partir dessa purificação, é que o Yogi deve começar com os asanas e pranayama.

Auto controle e disciplina, começam a partir de um corpo e uma mente purificados, o que facilita o processo. Asana é disciplina, pranayama é disciplina. Kumbhaka, retenção da respiração, é auto controle. Por que lutar com a mente primeiro?

Bem, há muito, mas muito mais coisas para dividir com vocês, mas hoje eu paro por aqui.

Com certeza um novo olhar para o Yoga e para mim, que sempre dividi com ele esse pensamento e, por isso, deixo aqui esta reflexão com vocês.

Wal Nunes
Fundadora e Diretora do Studio Yoga Integral.Escola de Yoga e Meditação. Trabalho voltado a consciência e a integração homem e meio. O Purna Yoga ou Yoga Integral, integra todas as vertentes do Yoga com o intuito de facilitar a realização do espírito na matéria. O Studio Yoga Integral atua há 4 anos no mercado com práticas de Yoga, meditação, acro yoga, formação em Yoga, treinamento para professores e retiros. Mais informações: www.studioyogaintegral.com

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