Se você pratica Yoga ou conhece alguém que vivencie o Yoga no cotidiano já percebeu que há nesse meio uma enorme preocupação com a nutrição. De modo geral, praticantes de Yoga costumam aderir ao vegetarianismo e buscam uma alimentação saudável e diversificada. Alguns adeptos são rigorosos com aspectos nutricionais, como por exemplo, os veganos, os crudivoristas e adeptos da alimentação viva etc. Há entre essas linhas de alimentação uma preocupação que transcende o simples ato de comer. Além da atenção com a questão da ahimsa (não-violência), típica dos yoguis há um enfoque especial com aspectos energéticos associados ao alimento. Nessa perspectiva, a comida é responsável não só por manter o corpo físico funcionado, como é a fonte de alimento para o corpo sutil que se nutre do Prana presente nos vegetais.

Há quem acredite que o Prana é o “alimento” mais completo capaz de suprir todas as nossas demandas. Alguns chegam a nutrir- se somente dele e passam a abster-se de alimentos sólidos. Esse é o caso do professor de Yoga Oberom¹. Devido a sua habilidade de absorção do Prana, reduziu drasticamente a sua necessidade de consumo de alimentos sólidos. Oberom descreve a sua dieta no filme “A transição”. Segundo seu próprio relato, sua dieta básica semanal consiste na alimentação prânica durante três dias (sem água e alimentos sólidos) e quatro dias de ingestão de sucos.

A Australiana Jasmuheen é uma das principais difusoras dessa forma de alimentação. Seu livro “Viver de Luz” descreve o processo de vinte e um dias necessário à transição da alimentação tradicional para a alimentação por meio do Prana. Essa publicação inspirou não somente o professor Oberom como milhares de pessoas ao redor do mundo. Segundo Jasmuheen a alimentação prânica contém a chave para o desenvolvimento evolutivo da nossa sociedade. Juntamente com a Self Empowerment Academy (S.E.A.) deu início ao Projeto Prana, elaborado com o objetivo de re-harmonizar o mundo e eliminar todos os desafios de saúde e fome no nosso planeta. A viabilidade e veracidade dessa forma de alimentação no âmbito individual e global são questionadas por médicos e pesquisadores de todo o mundo. Não pretendemos dar aqui o veredicto final desse debate, mas sim, analisar esse diferente ponto de vista buscando compreender de que forma esse conceito pode nos enriquecer a prática do Yoga, a alimentação e influir no modo como compreendermos o funcionamento do nosso corpo sob uma perspectiva holística e espiritual.

Segundo a descrição dada por Jasmuheen na publicação da S.E.A. no Prograna Prana,  Prana é definido como o “micro alimento de vida”. Seria a força mantenedora da vida no indivíduo. É a freqüência básica de todas as células porque dá vida a toda a estrutura de moléculas e átomos. Está impregnado em toda forma de vida. A alimentação prânica é desse modo, a capacidade de atrair e absorver todos os nutrientes para manter um ser saudável com a força de vida universal. Uma pessoa que pratica a alimentação prânica não tem a necessidade de ingerir os alimentos físicos já que o alimento prânico nutre o corpo físico, psíquico e energético.

Toda essa proposta está pautada em dois princípios básicos descritos por Jasmuheen em seu livro Em Sintonia: A Arte da Ressonância:

1-   Que somos todos sistemas de energia pura em forma física. Enquanto sistemas energéticos, somos governados pelas mesmas leis que governam toda energia e toda matéria.

2. Que todos temos nossa própria Matriz Divina codificada a nível celular.

O Prana está para a consciência suprema, assim como a luz está para o Sol. Nesse sentido, o Prana é uma emanação da fonte divina criadora e atua sobre os nossos corpos enquanto sistemas energéticos nutrindo-os com as emanações da fonte criadora da própria matéria. É na escala do átomo e das moléculas que se dá a alimentação prânica. Simultaneamente o aumento do fluxo prânico transforma os aspectos limitantes do funcionamento biológico permitindo que o indivíduo acesse habilidades naturais antes adormecidas como a clariaudiência, à clarividência e à clarisciência. É a ativação dessas habilidades que proporciona o alimento emocional, mental e espiritual. É também por meio da ativação dessas habilidades estimuladas pelo fluxo do Prana que paulatinamente acessamos o canal de ligação com a inteligência superior em nós. A partir de então podemos ter insights mais claros em relação ao propósito da existência e das escolhas que temos como seres criadores.

Pensando sob essa perspectiva e buscando um conhecimento um pouco mais aprofundado do que é viver de luz fica fácil compreender que as pessoas não deixaram simplesmente de comer para passar a absorver o Prana. O progressivo processo de absorção do Prana é que transmutou os seus corpos. É possível imaginar nesse sentido, o processo de vinte e um dias como um rito de passagem. Uma oficialização de algo que já vinha ocorrendo para essas pessoas. Talvez uma oficialização para suas próprias mentes. Para que possam aceitar e perder o medo de estar enfim realizando algo fantástico. Conectando-se com a fonte divina enfim…

Quando iniciei a pesquisa sobre alimentação prânica não sabia bem o que iria encontrar. Confesso que sempre olhei para essa proposta com alguma desconfiança. Fiquei muito surpresa ao constatar que em minha pesquisa não encontrei nada de diferente do que tenho escutado e estudado no meu curso de formação em Hatha Yoga. Talvez por vivermos em um mundo cada vez mais pautado pela informação de caráter instantâneo superficial, midiático e muitas vezes sensacionalista acostumamo-nos com informações processadas e digeridas e estamos sempre prontos a avaliar, rotular e descartar pessoas e idéias sem ao menos uma averiguação ou reflexão sobre seu ponto de vista. Talvez por esse motivo seja tão difícil aceitar que seja possível realizar em vida aquilo que tanto nos dedicamos a fazer. O Yoga, a união.

Inspire fundo limpe a mente e bom apetite!

Namastê…

Mariana Cordeiro

¹ Oberom é professor de Yoga registrado pela Aliança do Yoga, formado em Educação Física com pós-graduação em Nutrição pela UFLA, facilitador do processo de 21 dias no portal Parvati e autor do livro “Viajando na Luz”.

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