Bom dia Yogue!

Você pensa ou você pinça?

Provavelmente, os dois; como eu.

Já notou sua mente fixada em algum pensamento?

Não falo propriamente de obsessões; esse seria um nível extremo da fixação; mas falo de pensamentos que se repetem e se repetem, sem solução, apenas rodeio, rodeio… Será que isso acontece com todas as mentes? Será que tem um jeito de evitá-los e de detê-los?

Na hora que os tenho, sinto como se minha mente fosse uma pinça, fixando e pulsando vibrações em minha mente…

…Vibrações; se quisermos falar sobre pensamentos, precisamos compreender as vibrações.

No segundo yogasutra; primeiro capítulo, Patanjali descreve que: YogaChittaVrittNirodha, e explica com esse sutra o que é Yoga, dando uma aula sobre ‘fisiologia’ da mente.

Neste sutra temos 4 palavras: Yoga Chitta Vritt Nirodha, traduzindo palavra por palavra, temos: Yoga (integrar-se) Chitta (matéria mental) Vritt (propensão psíquica) Nirodha (cessar).

Traduzindo o significado do sutra, podemos obter:

  • Yoga é o cessar da mente
  • Yoga é a estabilidade do pulso mental
  • Integrar-se é cessar as propensões psíquicas sobre a mente
  • Yoga é impedir que a matéria mental tome diversas formas.

Mas, para compreender melhor toda a física do pensamento, recomendo a leitura da explicação do Swami Vivekananda* sobre o Sutra de Patanjali (sutra 2, cap. I), pois ele descreve com bastante ciência todo o conjunto físico e extra físico do pensamento.

Espero que aprecie a leitura e que esses estudos ajudem você a lidar melhor com seus pensamentos e com os pinçamentos!!

Semana que vem vamos descrever a propensão psíquica de cada chakra.

Com Carinho,

Dani da Terra.

Yoga chitta vritti nirodha

(Explicação do Swami Vivekananda)
Esta explicação se faz necessária. Temos que compreender o que é chita e o que é Vrittis.
Eu tenho olhos, os olhos não veem. Se eliminarmos o centro que está na cabeça, deixando somente os olhos, os olhos não veriam. Por tanto, os olhos são unicamente um instrumento secundário, no órgão da visão. O olho é um instrumento externo, necessitamos também o centro do cérebro e a agencia da mente.
Eu tenho esse olho. Os olhos não veem. Se tirar o centro cerebral que é na cabeça, os olhos ainda estarão lá, a retina completa, e também a imagem, e ainda os olhos não verão. Assim, o olho é apenas um instrumento secundário e não o órgão da visão. O órgão da visão é no centro nervoso do cérebro. Os dois olhos não serão suficientes por si só. Às vezes um homem está dormindo de olhos abertos. A luz está lá e a imagem está lá, mas uma terceira coisa é necessária; mente deve estar associada ao órgão.
Às vezes não estamos escutando os carros que estão passando na rua, por quê? Porque nossa mente não está unida ao órgão do ouvido.
A mente recolhe a impressão e a apresenta a faculdade determinativa (Buddhi), que reage, e desta reação brota a ideia de egoísmo. Depois essa mescla de ações e reações se apresenta a genuína alma (Purusha), que em dita mescla percebe o objeto (purusha percebe o objeto).
Os órgãos do sentido (indryas) junto com a mente (manas), a faculdade determinativa (buddhi) e o egocentrismo (ahamkara) formam o grupo chamado “o instrumento interno”. (antahkarana).
São diversos processos na matéria mental, chamada CHITTA.
As ondas de pensamento na matéria mental se chamam Vrittis, que literalmente significa “vórtice”.
Que é o pensamento?
O pensamento é uma força como a gravitação ou a repulsão. O instrumento chamado Chitta se apodera de algo no infinito armazém de forças naturais, o absorve e o emite em forma de pensamento.
A nutrição nos proporciona força e em virtude do nutritivo alimento pode mover-se e funcionar o corpo.
As forças sutis se manifestam no que chamamos pensamento.
Assim vemos que a mente não é inteligente, ainda que o pareça, por que atrás dela está a inteligente alma, o único ser sem ciência, pois a mente é somente um instrumento por cujo meio percebe a alma, o mundo externo.
Pegue este livro. Livro não existe externamente, o que existe é o desconhecido e misterioso, o misterioso, incognoscível impressiona a mente, e a mente manifesta a reação em forma de um livro. Da mesma maneira que quando se atira uma pedra no lago, a água reage emitindo ondas. O universo dá origem à reação da mente.
A forma de um livro, de um elefante ou de um homem não está no exterior. Tudo que conhecemos de tais formas é nossa mental reação contra a sugestão externa.
Disse John Stuart Mill. “A material é a permanente possibilidade de sensações”. O único externo é a sugestão.
Pegamos como exemplo a pérola. Sabemos como se formam as pérolas. Um parasita expele uma espécie de esmalte ao redor da irritação, e assim se forma a pérola.
O universo real é o parasita que serve de núcleo à nossa camada esmaltada constituída pelo universo experimental.
O homem vulgar jamais compreenderá o mundo real porque enquanto o tenta fazer, só verá o esmalte expelido.
Agora compreendemos o que são os Vrittis.
O verdadeiro homem está afrente da mente, e a mente é o instrumento de que dispõe, é sua inteligência infiltrada na mente.
Tão somente quando o verdadeiro homem está a comando da mente, é inteligente a mente.
Quando o verdadeiro homem abandona, se aniquila a mente.
Assim compreendemos que Chitta é a matéria mental, a matéria da mente, e Vrittis são as ondas, as ondulações que levanta na dita matéria mental uma causa externa ao chocar com ela. Estes Vrittis são nosso Universo. Não é possível ver o fundo de um lago de agitadas águas. Só é possível ver o fundo quando cessa a ondulação e estão tranquilas as águas.
Se a água estiver cheia de lodo ou continuamente agitada não poderá ver-se jamais o fundo.
O fundo do lago é nosso verdadeiro Ser. O lago é Chitta e as ondas são Vrittis.
Também a mente pode se achar em três estados análogos.
Tamas, Rajas ou Sattva.

Tamas equivale à obscuridade e trevas, e é peculiar das pessoas brutais e ignorantes/ imprudentes que só agem para danar, pois não lhes ocorre outra ideia em semelhante estado da mente.
Rajas é o ativo estado da mente, peculiar de quem tem por principal motivo de suas ações o poder e o gozo, e pensam:
“Serei poderoso e mandarei nos demais”.
Sattva é o estado de serenidade e calma, quando as águas do lago da mente estão claras e tranquilas por que cessou a ondulação.
Não está a mente inativa senão intensamente ativa. A calma é a maior manifestação de poder. Muito fácil é ser ativo.
Afrouxe as fivelas e se precipitarão os cavalos.
Qualquer um pode fazer isso.
Mas só é forte o capaz de deter os cavalos desbocados.
O que requer mais força, afrouxar as fivelas ou detê-las.
O homem tranquilo não é o homem lerdo.
Não se deve confundir a calma (Sattva) com a estupidez. O homem tranquilo é o que domina a ondulação em sua mente.
A atividade é a inferior manifestação da força.
A calma é sua manifestação superior.
A matéria da mente (chita) propende sempre a retornar a seu puro estado original, mas os órgãos a excitam para fora.
Restringi-la, opor-se a sua propensão ao exterior e coloca-la em direção ao seu retorno à essência da inteligência é o primeiro passo no estreito caminho do yoga, porque só assim pode Chitta entrar no seu próprio caminho.
Ainda que chita ou matéria mental exista em todos os animais, desde o inferior ao superior, só na forma humana se manifesta o intelecto. Até que a matéria mental possa assumir a forma de intelecto não lhe é possível andar sobre seus passos e liberar a alma. Ainda que um cachorro e vaca tenham mente, não lhes acontece imediata libertação, porque sua matéria mental não é ainda capaz de assumir a forma a que chamamos de intelecto.
A matéria mental se manifesta nas seguintes formas: ativa, tenebrosa, recolhida, unilateral e concentrada.
A ativa propende a manifestar-se em forma de prazer e dor.
A tenebrosa é uma debilidade, fraqueza, entorpecimento propenso a danar. A primeira forma, disse o comentador, é natural dos ‘anjos’ e a segunda dos ‘demônios’.
A forma recolhida se entende quando a matéria mental se esforça em centrar-se. A forma unilateral quando se trata de concentrar-se, e a concentrada conduz ao Samadhi.

*Esta é a explicação do Swami Vivekananda sobre o segundo sutra da reunião de sutras de Patanjali. Foi traduzida do espanhol, mas o original veio do Inglês.
O digníssimo Swami Vivekananda foi um discípulo de Ramakrishna. Desde cedo o jovem Vivekananda abraçou as diversas filosofias agnósticas e científicas do pensamento Ocidental, tinha pensamentos geniais e espiritualizados.
Mas mantinha veemente desejo de conhecer a Verdade e foi questionar os santos e sábios a fim de saber se afinal eles haviam visto Deus.
Ao encontrar Ramakrishna sua busca teve fim. Ramakrishna foi quem lhe respondeu sem hesitar: “Sim, já vi Deus. Eu O vejo como vejo você aqui, só que mais claramente… Deus pode ser realizado. Pode-se vê-Lo e conversar com Ele, assim como o estou fazendo com você”.
Tornou-se discípulo de Ramakrishna, quem dissipou suas dúvidas, dando-lhe a visão de Deus e a mais elevada realização espiritual. O jovem Narendra vem então a ser conhecido como Vivekananda, o sábio e profeta que viria a divulgar a grande mensagem do Mestre.
Depois da morte de Ramakrishna ele foi peregrinar, e diante da oportunidade de representar o hinduísmo no Parlamento das Religiões de Chicago, em 1893, o monge Vivekananda viajou à América do Norte para buscar ajuda para seu próprio povo, que tem muita pobreza e muita espiritualidade.
Ai começou sua missão no Ocidente, ele viveu de 1863-1902.
Ele foi muito bem aceito pelo Parlamento, pois estavam ávidos por ensinamentos espirituais genuínos e não dogmáticos.
Swami Vivekananda conquistou instantânea notoriedade na América do Norte. Por alguns anos divulgou a filosofia vedanta nos Estados Unidos e na Inglaterra. Em seu retorno à Índia, em 1897, fundou a Ordem Ramakrishna, cujo lema é: “Buscar a própria realização espiritual e servir a Deus no homem”.

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