sangha

Acho que não sou a pessoa mais indicada para falar sobre união.

Por vários motivos. Não que eu procure conflitos na vida, mas sim porque conviver sempre foi um desafio para mim. Eu digo isso com uma ponta de vergonha, porque a habilidade de conviver bem com as outras pessoas (e consigo mesmo) é vista como prova de caráter – e o oposto, como uma falha ou fraqueza.
Mas a busca pela união com as outras pessoas sempre esteve presente no meu coração, como está presente em todos os seres, não só nos humanos. A gente busca estar junto, não só das pessoas que amamos, mas de todo mundo. Queremos “pertencer”, e mais do que um imperativo social, acredito que esse seja um desejo instintivo, biológico. Afinal, os que andam sozinhos correm maior risco.

Eu tenho fobia social há alguns anos, e crises de ansiedade, que me custaram minha vida social e profissional. Mas que me deram muitas outras coisas. Foi por causa de minhas ansiedades que me voltei para a ioga, e para a cura energética, e comecei a meditar, e mudei minha alimentação para uma mais saudável. Todas essas práticas me dão diariamente uma alegria interna, que faz tudo valer a pena, apesar do caminho não ser fácil, e das dúvidas às vezes me derrubarem sem dó (quando me derrubam, eu vou para meu mat).

Para mim, a yoga é uma prática solitária. Eu não pratico em um studio ou escola por causa da minha ansiedade, então minha prática é em casa. Sou eu e meu mat. Eu usei e uso livros como guias – Luz da Ioga, Baghavad Gita e outros – e também assisto a aulas online. Hoje em dia, eu me sinto confiante para criar minhas próprias sequências, depois de pouco mais de dois anos de prática diária.

Quando eu estou sozinha, no meu mat, diante do nascer ou pôr-do-sol, de frente para o oceano, em um jardim ou apenas de frente para a janela gradeada do meu quarto, eu me sinto em paz. Não há competição, não há nada que eu precise “fazer”, não preciso provar nada, é apenas uma oportunidade de “ser”. Sem cobranças. Eu me viciei nessa sensação de liberdade que a ioga, a meditação e outras práticas, como o pranaiama e o canto de mantras, me oferecem.

E assim eu fui praticando ioga como se fosse apenas eu e meu mat, e minhas práticas, e meu diário de prática, e minhas inspirações, e minha paz.

Mas essa semana eu assisti um vídeo que me lembrou do significado da palavra ioga. Ela tem como raiz a palavra “união”. Não só com as outras pessoas, é claro. A palavra união também pode ser entendida como união consigo mesmo, união com a divindade ou união do corpo, mente e alma, entre outras interpretações. Mas é também a união entre duas, três ou mais pessoas.

Eu percebi que na minha prática falta um pilar: sangha. Aquela comunidade de pessoas com interesses comuns, que se apoiam, mesmo em silêncio. Apesar de me sentir realizada na minha prática, eu sei que falta muito. E falta gente.

Mas o vídeo não fala de ioga. Fala de casamento e de amor. Eu devo estar numa onda romântica ultimamente, pois só agora essa música me chamou a atenção, e acho que ela já é um pouco antiga. Eu já tinha ouvido, mas só essa semana assisti ao vídeo. E assisti de novo. E de novo.

Ele me fez pensar sobre como um casamento exige união (exige ioga!). Ainda que os noivos nunca tenham ouvido a palavra asana, eles tiveram que “unir”.

Primeiro se uniram consigo mesmos, depois, um ao outro (não é fácil), depois, uniram as famílias, os amigos, os colegas de trabalho, os interesses, os conhecidos. Uniram todo mundo e então foram celebrar. O casamento é muito mais que a união de duas pessoas que se amam. É a união de dois mundos distintos, de vários universos particulares, é a união de muitas e muitas gerações. A gente nunca casa apenas com o outro, mas com a família, os amigos, os colegas, os problemas e sonhos, os desafios e a bagagem do outro. A gente casa com o cachorro e com o gato do outro. E nessa união de opostos e diferentes, é tecida uma espécie de “manta”, que expande nossos corações e nossa capacidade de amar. E a manta nos envolve, e nos aquece, e nos protege.

Ouça a música e assista ao vídeo, para você se “viciar” também 🙂

 

Namaste.

Picture: Source

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