Começo meu artigo primeiramente agradecendo a oportunidade oferecida pelo

Site Boa Yoga. Acompanho o trabalho de vocês há alguns anos e é uma honra fazer parte deste trabalho.

É sempre bom ter um espaço onde podemos compartilhar um pouco de nossas experiências, como professora e pesquisadora de práticas ocultas, para aqueles que assim como eu, também buscam novos caminhos que levam ao melhor entendimento de si mesmo e o todo.

Poderia começar meu primeiro artigo falando ou aprofundando mais sobre meu conhecimento do Yoga – palavra em sânscrito que quer dizer União. Embora escrever sobre yoga não é algo tão simples assim. Primeiro por que já existe muita coisa escrita por pessoas do mundo inteiro sobre o assunto. Os textos sagrados foram traduzidos em várias línguas e há excelentes profissionais, inclusive no Brasil, que fazem um belo trabalho em desvendar os ensinamentos destes textos antigos. O que torna quase impossível renovar na área, uma vez que o Yoga tem um único intuito e os ensinamentos nunca mudam, apesar de sofrer algumas transformações naturais que acontecem por causa da necessidade de cada individuo.

Falar de algo que para ser entendido tem que ser vivenciado é  bem complexo. Por que falar de uma prática filosófica, é quase que falar de si mesmo, da sua experiência sobre o assunto, é se expor para o mundo e não ter medo de encarar as suas dificuldades no caminho.

Yoga para mim é isso, é minha vivência na prática, é como eu faço minhas escolhas e o impacto que elas tem no meu presente. É como lido com as minhas dificuldades do dia a dia, e meu desenvolvimento com as mesmas.

Mas o que escolhi falar hoje e o que venho sempre questionando com os meus alunos, é a questão do verdadeiro significado do Yoga e se realmente nós praticantes conseguimos vivencia-la na nossa vida.

Outro dia discutindo sobre política antes de começar a prática, ouvir de um aluno meu  a sua revolta, sobre o momento atual e o quanto ele não queria fazer parte desta política desonesta que se encontra no Brasil. Para ele e para muitos que conheço, não agir ou não tomar um partido, simplesmente pelo fato de não querer fazer parte deste meio, é natural. Pois isto tudo não me representa. O momento atual da política brasileira não me representa, o caos lá fora não me representa, a injustiça, a falta de educação também não me representa.

Nasci aqui, fui criada e vivo aqui, mas nada disto me representa, pois no fundo me acho consciente demais para me ver representado por algo que me incomoda tanto. E no fundo nós yogis quando falamos do que enxergamos no todo, nos excluímos dele, criamos uma separatividade, aos invés de buscar uma conexão, um ponto de ligação que pode até levar a  uma transformação.

Confesso que pensei muito sobre o assunto e as idéias não param de surgir e confesso que me vejo também criando esta separatividade quando o assunto é o outro.

Vejo muitos de nós que buscamos um desenvolvimento espiritual, vestir bandeiras em prol da salvação do mundo. Alguns querem salvar os animais, outros o planeta, meu yoga é melhor que o teu e por aí vai. Há até umas frases no facebook, do tipo:   -“Não adianta fazer yoga e não cumprimentar o porteiro”. Parece besteira, mas no fundo, muitos de nós que buscamos nos desenvolver, ao invés de se integrar ao meio, cria um Ego de superioridade que não condiz com a prática.

Vestimos mais um rótulo. Aquele que tem alimentação saudável, o que ama o planeta, cuida dos animais.  Apesar de não conseguirmos olhar para o outro e aceitar que não somos e nem devemos ter todos a mesmas escolhas, não trilhamos os mesmos caminhos, apesar de sermos iguais. Queremos impor a nossa verdade ao outro,  impor o nosso caminho, as nossas escolhas. Queremos ser aceito diminuindo o outro.

Não conseguimos aceitar, que se nascemos em um país onde a política é corrupta de certa forma, algo Kármico tenho que aprender com a situação.

As mesmas pessoas que criticam o político corrupto, sem perceber senta no próprio rabo, e não enxerga pequenas atitudes egoístas que ainda sustentam. Atitudes e hábitos que vem de uma cultura brasileira, de não respeitar o tempo do outro, de não respeitar o direito do outro de ser quem ele quiser ser, de achar que é melhor que o outro e pode ter vantagem em algumas situações. No fundo quando nos observamos, o jeitinho brasileiro está enraizado em nós. Naquela hora em que você está com pressa e estaciona o carro no lugar proibido, mas acha que é normal, por que no fundo você está com pressa. Quem nunca fez isso? É na fila do banco, no estacionamento, no melhor lugar do show, sempre queremos tirar uma vantagem, e fazemos isto com interesse próprio.

Vejo pequenas atitudes que sustentamos que se olharmos a nossa volta, o  caos  externo é reflexo desses pequenos hábitos que alimentamos.  E tudo isto parece ser normal, por que no fundo ser brasileiro é isso. Sonegar imposto mas reclamar do político que sonega, deixar uma dívida caducar e achar que está tudo bem,  pois depois de cinco anos, posso começar de novo. Vejo muita gente nesta situação, alimentando estes hábitos, e são os mesmos que reclamam do caos a volta.

Ter consciência nem sempre significa mudança.

Yoga e a união que buscamos corpo – mente – espírito é alcançada quando conseguimos mudar nossos hábitos, desde simples atitudes como cumprimentar o porteiro e se ver nele, há questões mais complexas que temos que lidar no dia a dia.Mas esta transformação, não deve ser algo imposta e sim natural do ser. Por que também vejo muita gente forçar a própria natureza só por que agora faz yoga e é preciso ser cool  com todo mundo, por que o yoga ensina esse se ver no outro.

Não adianta ter consciência se não estamos preparados à abandonar certos padrões, certas atitudes em nós que nos puxam para baixo. Ter consciência de uma alimentação saudável, por exemplo, não te faz melhor ser humano se você não consegue perdoar e amar o outro que escolheu não fazer a mesma escolha que você.

Amar os animais e não conseguir dar um abraço sincero numa pessoa que você não tem intimidade, não te faz um ser humano melhor, só por que escolheu lutar por uma causa. Ou ao contrário, as vezes para mim, por exemplo,é mais natural abraçar um estranho, que meus pais. Que são pessoas com quem não tive muita convivência , e maior parte das minhas ações vem da falta deles em mim. Então, abraçá los ainda é algo que não é natural e respeito isto, mas busco aceitar e aprender com o incômodo  que isto ainda me causa, o que isto significa, o aprendizado que tenho com a situação, o Karma. Escolho olhar para a dor, ao invés de negá la, escolho transformá la.

Quando faço isto, estou trabalhando diretamente as questões envolvidas com o meu primeiro chacra, as minhas raízes. Que está diretamente envolvido, com o que recebi dos meus pais, das crenças do país que nasci, da educação que recebi. Tudo isto está em mim, diz muito das minhas escolhas, apesar de não dizer totalmente quem realmente sou. Mas faz parte deste Ser que aos poucos vai se moldando por influência do meio.

O yoga é o reflexo direto das nossas relações e como escolhemos vive – las e não nos asanas lindos que vejo todos yogis fazendo. Está na nossa escolha de amar o outro e aceitar as diferenças do mundo.

O respeito é a base de todas as nossas relações. Yoga para mim se resume em amor , sinceridade e respeito. Se praticamos estas três coisas, todo o resto flui com harmonia.

Isto é Yoga, isto é união.

Boa Prática.

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