Esta semana, a Chipotle, rede de comida mexicana situada nos EUA,   publicou este vídeo para divulgar o lançamento de um game aplicativo para download. A animação mostra um solitário espantalho (símbolo típico de proteção das plantações) observando frangos ‘inflados’ de forma não natural, vacas tendo seu leite tirado de forma ininterrupta, e depois o mostra começando um movimento de usar coisas naturais e não-industrializadas.

No release do jogo, a Chipotle fala:

” Em um mundo de fantasia distópica, toda a produção de alimentos é da fictícia indústria controlada por corvos, Crow Foods. Espantalhos foram deslocadas de seu papel tradicional de proteger alimentos, e agora são usados pelos corvos e os seus planos malignos de dominar o sistema alimentar. Sonhando com algo melhor, um solitário espantalho propõe oferecer uma alternativa aos insustentáveis alimentos processados na fábrica”

Como mencionado no site http://www.hypeness.com.br/, ” a rede não prega o vegetarianismo. Ela trabalha com carne de animais (muitos pratos mexicanos acompanham carne), mas o que a Chipotle defende e faz, é ter fornecedores de carnes responsáveis, onde o rebanho é criado de forma natural, sem intervenção de hormônios e/ou aditivos. Essa é uma causa de interesse de todos, pois hoje em dia temos nos alimentado de carnes que vêm carregadas de hormônios sintéticos e absolutamente prejudiciais para a nossa saúde…”

Este é o ponto.

Muitas pessoas me perguntam o porque sou vegetariana e não entendem como posso recusar aquela picanha deliciosa, cheia de sangue, ou até mesmo um frango a passarinho. Posso dizer que é porque tenho compaixão pelos bichos e que quero ver eles livres, porque não gosto de carne, porque carne é indigesto, porque o corpo humano não possui as enzimas suficientes para digerir as toxinas da carne, mas a resposta que tem meu maior crédito é esta: Por causa da indústria que existe por trás de tudo isso. Os empresários que só pensam em lucrar, que não se importam em desmatar a Amazônia, para criar pastos ou para a plantação de soja (transgênica é claro), que servirá de alimento para os animais. Sem falar das bombas de hormônio sintéticos que os animais são submetidos a tomar ou que neles são injetados, para crescer além da ordem natural da vida, e que por tabela o consumidor ingere estes hormônios naquele saboroso pedaço de filet mignon. Tem mais, a maneira como porcos e galinhas são tratados e alimentados. Posso citar também o confinamento inadequado destes animais, e por fim, este poder que o homem acha que tem para determinar quando é hora do animal procriar, dar o leite, morrer e servir de refeição.

Existem muitos documentários que exploram o assunto, bastante gente mobilizada para de alguma maneira mudar esta situação, e graças a internet, hoje podemos levar esta consciência a um maior número de pessoas. Com a informação e o conhecimento, cada pessoa tem o livre arbítrio para fazer suas escolhas, e repensar qual é o grau de responsabilidade que cada um tem para cultivar um mundo melhor, e de que forma faze-lo.

A busca por uma qualidade de vida é latente no ser humano, e a procura por alimentos orgânicos cresce em todo o Brasil, favorecendo assim a agricultura familiar, os pequenos e conscientes produtores que não desejam conquistar o mundo, mas apenas viver de uma forma sustentável, oferecendo alimentos para sua comunidade. São estes mesmo produtores conscientes que alimentam seus animais sem hormônios e suas plantações sem agrotóxicos. Existe uma relação de respeito com a natureza, e isto reflete na qualidade do alimento.

Pessoas que vivem nas grandes cidades podem achar que este mundo é muito distante, e se restringe apenas aqueles que moram no meio do mato. Erro grave. Hoje, conheço pessoas que conseguem trazer este tipo de produção para cidade, dentro de casa, no quintal. Fazem uma horta, com ervas e hortaliças, plantam arvores frutíferas, criam galinhas,  tem minhocário, fazem compostagem, reaproveitamento de água e muito mais… Reciclar o lixo nem é mais cogitado, porque nos dias de hoje, isso já virou hábito.

Fico incrédula quando as pessoas me perguntam, “mas se você não come carne, você como o que?”. A única coisa que não como é a carne, de resto, como tudo, e até mais coisas do que os “carnívoros” não conhecem e não comem. Desde que me tornei vegetariana, descobri um mundo de sabores. Este mundo está nos legumes, nos cereais, nas frutas, nas verduras, nos temperos, nas ervas, e principalmente na combinação de tudo isso, do doce com o salgado, do picante com o suave, e por aí vai. Só arroz e feijão para mim também não basta. E me libertar de sabores condicionados como o da carne, abriu meu paladar para explorar uma combinação de sabores que foi um prazer a parte.

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Não quero convencer ninguém a nada. Como disse cada um faz suas escolhas, baseado naquilo que acredita e que vai contribuir para um mundo melhor. Mas fico feliz em compartilhar estas informações, porque de repente, vai que alguém precisa de um empurrãozinho, de uma esperança, de uma palavra, de uma informação que faltava. Vai que este artigo alimente aquela sementinha de mudança que está aí dentro de você.

A alguns meses atrás fiz uma escolha que mudou toda a minha vida, e me fez sair da minha zona de conforto e da grana garantida, para fazer aquilo que acredito ser importante, e ir de encontro ao meu Dharma. Esta escolha não foi só baseada em questões pessoais. A base dela é mais profunda e tem justamente a ver com o título desde post: Cultivar um mundo melhor. Descobri que faz parte do meu Dharma contribuir para o equilíbrio e cura do planeta, e estou me preparando e me capacitando para isto.

Hoje tento basear todas as minhas escolhas neste ponto de vista. Não é fácil, ainda mais porque vivo numa megalópole como São Paulo. Seria muito mais confortável ir morar lá nas praias capixabas junto do meu namorado e não estar em contato com essa babilônia, que tem um custo de vida altíssimo e é cheia de poluição que impossibilita a minha respiração. Mas estou descobrindo que aqui está o meu maior aprendizado. É aqui que trago o Yoga nas minhas ações diárias, fora do tapetinho, e a partir destas experiencias que me fortaleço. Confesso, com toda sinceridade, que não resisto ao queijo, como ovo de galinha caipira do quintal da minha sogra, de vez em quando me afogo num chocolate, e as vezes não resisto a uma coxinha de festa de criança. Chamo isso de equilíbrio, afinal, um dos grande ensinamentos de Sidarta Gautama, o  Buda, é trilhar o caminho do meio. Assim não me culpo, pois a atitude de cultivar um mundo melhor está sendo tomada em outras ações.

Hari Om!

Melissa Amita

 

REFERÊNCIA:

Site Hypeness   http://www.hypeness.com.br/

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