As duas formas de conhecimento (vidya) a serem conhecidas são o Absoluto Sonoro e aquilo que o transcende. Aquele que conhece o Absoluto Sonoro chega ao Absoluto Supremo” Amrita Bindu Upanishad – 17

 Para se falar sobre mantras da tradição hindu, é preciso antes de tudo entender um pouco sobre o Sânscrito. O Sânscrito é um dos idiomas da Índia, e tem sua origem por volta de alguns mil anos antes de Cristo. Conhecido como a linguagem dos Deuses, ele foi utilizado na escrita dos Vedas, o livro sagrado da Índia, e muitos historiadores o classificam como o livro mais antigo encontrado, datado aproximadamente de 1500 A.C. Os Vedas são constituídos por 4 volumes de texto em forma de versos, que contém toda a base da cultura hindu, e permeia as praticas religiosas e espirituais, apresentando todos os caminhos para o conhecimento.

Compara-se o Sânscrito com a matemática, pois nele os princípios de harmonia sonora operam precisamente e constantemente. A Matemática que é uma linguagem precisa e utilizada pela ciência, excita o cérebro, mas não o coração. O Sânscrito, assim como a musica, tem o poder de tocar no coração.

O que tem de extraordinário no Sânscrito é que ele oferece a todos o acesso direto a um plano superior, onde tanto a matemática como a musica, o cérebro como o coração, a razão como a intuição, a ciência e religião tornam-se unos.

O Sânscrito é a linguagem dos Mantras, palavras que tem o poder de remover os condicionamentos da mente, por estarem em sintonia com o sutil e com a harmonia invisível da criação.
Os Mantras Védicos são o início das Upanishads. As Upanishads são o resumo do Vedas, comentados entre mestre e discípulo em forma de debates espirituais. O grande estudioso dos Vedas foi Shankara Chaya, e em cima dos seus comentários de Upanishdas, é que é feito todo o estudo dos Vedas.
Com esta breve apresentação, podemos agora falar mais sobre os Mantras e sua relação com a prática de yoga.

A palavra Mantra pode ser dividida da seguinte maneira: “Man” equivale a mente e “Tra” significa instrumento. Ou seja, o Mantra é um instrumento que conduz a mente.
É uma palavra ou frase de poder que deve ser usado com propriedade e consciência. Sua força reside em sua entonação correta.

Começamos pelo princípio, OM.
O OM é a essência dos mantras, o mais importante do hinduísmo, representa os elementos água, terra, fogo, ar e éter e é considerado o som do Universo. Ele na verdade não é um mantra e sim um Pranava. O Pranava é a ponte para atingir os mantras.

Mantras, o encontro com o Absoluto

 A raiz do OM é  A + U + M = AUM, onde o ditongo A+U =O,  e recitá-lo “OM” é a maneira correta. O Importante é respeitar os três tempos de entonação, que correspondem aos nossos três estados de consciência: vigília, sono e sonho.
Uma curiosidade, segundo várias escolas hinduístas, o Om quando entoado internamente é muito mais poderoso e eficaz.

Os principais chackras do nosso corpo tem seu próprio som que é composto de três sílabas como o AUM. Podemos, trabalhar a harmonia dos nossos chackras em prática de asanas, pranayamas e durante a meditação através da visualização e entonação de cada um dos mantras correspondentes.
Em ordem crescente são eles LAM (Muladhara) , VAM (Svadhistana), RAM (Manipura), YAM (Anahata), HAM (Vishudha) e OM (Ajna).

Mantras, o encontro com o Absoluto

Podemos também mantrar aos Deuses específicos como Shiva, Ganesha, Krishna, entre outros, estabelecendo assim uma conexão com cada um deles. Os mantras relacionados às deidades são poderosos e podem nos ajudar na realização de mudanças, remoção de obstáculos, transformações  ou apenas como agradecimento e reverencia. Eles são muito utilizados nos kirtans, os cantos devocionais indianos, e podem ser entoados também através de Japa, repetições de mantras ou frases através da utilização de um cordão de 108 contas, o Japamala.

Mantre a Shiva para obter força nos períodos de mudanças e transformações, pois Shiva é o Deus da destruição, extingue o velho para dar espaço ao renascimento.

OM NAMAH SHIVAYA /Saudação Oh Senhor Shiva, inclino-me perante a ti

Mantre a Ganesha para ter a coragem de remover obstáculos que bloqueiam o seu crescimento espiritual. Ganesha é o Deus que remove os obstáculos através do seu intelecto e sabedoria.

OM GAM GANAPATAYE NAMAHA / Saudação a Aquele que remove os obstáculos

Os mantras védicos são o inicio das Upanishads. Muitos deles são chamados de Invocação à Paz e Invocação à Felicidade. Alguns são mais populares e utilizados em aulas. Estes mantras no geral são muito longos, e para se aprofundar neles é preciso estudar o Sânscrito. Mas não se prenda muito a isso, assim como a seus significados. Não há duvidas que eles são muito ricos em ensinamentos e quanto entoado, sua vibração transcende o entendimento.

Segundo Mahatma Gandhi, se todas as Upanishads fossem extintas e restasse apenas o primeiro verso de Isva Upanishad, este valeria por todos. Eu concordo! E você? Se não conhece aperte o play e se entregue. Este é o mantra em forma de Kirtan. Para saber como entona-lo numa prática, acesse a pagina do Boa Yoga no SoundClouds.

Mantra da Plenitude

OM PURNAMADAH PURNAMIDAM PURNAT PURNAMUDACHYATE |
PURNASYA PURNAMADAYA PURNAVEVASHISHYATE |
OM SHANTI, SHANTI, SHANTIH ||

Om, Isto é plenitude. Aquilo é plenitude. Da plenitude, a plenitude surge.
Tirando-se a plenitude da plenitude, somente a plenitude resta.
Om, paz, paz, paz

Todo o Universo manifestado está fundamentado em energia e vibração, e é por isso que é possível produzir todo tipo de mudanças na matéria e na consciência por intermédio do som.
Desde tempos antigos, grupos de Shadus vagueiam pelas terras da Índia cantando bhajans e mantras, por horas e horas todos os dias do ano, com o duplo propósito de elevar a consciência e manter o equilíbrio da sociedade.
A utilização dos mantras nas aulas de Yoga é de extrema importância, como forma de reverenciar e agradecer aos Deuses e aos Mestres todos os ensinamentos da tradição, assim como é uma ferramenta que nos conduz através da vibração sonora ao encontro com o  Absoluto Supremo. Aquele que conhece o Absoluto Sonoro, chega ao Absoluto Supremo.

Hari Om

Melissa Amita

* FONTE

MALVEZZI, MARCOS – Mantras, palavras de poder –  Ed Madras 1998
KUPFER, PEDRO -Isha Upanishad, a Upanishad do Ser Infinito – Cadernos do Yoga 1Ed. 2004
LOKASAKI – A Origem do Sânscrito – Cadernos do Yoga 1Ed.  2004
LOMBARDI, INÊS – Mantras e musica clássica indiana – Cadernos do Yoga  10Ed. Ano 2006
Audio: Purnamada , Puntumayo Presents Yoga
Imagens: Atma Tattva, Musica Indiana Brasil, Plotinus One, Filosofias do Universo

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