Todos os estilos mais conhecidos do yoga praticado hoje no Ocidente são uma forma do Hatha yoga: Vinyasa Flow, Iyengar, Anusara, Ashtanga Vinyasa, Power yoga e dezenas de outras que oferecem apenas pequenas variações sobre uma tradição ou estilo, mas com um nome. Pode soar como uma surpresa que as primeiras escritas aprofundadas sobre Hatha yoga e explicações relacionadas da prática de asanas são apenas algumas centenas de anos e não milhares como se costuma afirmar ou insinuar nas mídias populares a respeito da literatura do yoga. Pense em quantas vezes você leu um artigo sobre Hatha yoga que começa assim: “Nesta prática antiga que remonta mais de cinco mil anos …”

A primeira escrita substancial sobre Hatha yoga, o Hatha Yoga Pradipika, foi escrito no século XIV pelo sábio indiano Swami Swatmarama. Um texto bastante enciclopédico, o Pradipika examina em detalhe asana, shatkarma, pranayama, mudra, bandha, e samadhi, dando orientações muito específicas sobre cada uma dessas práticas inter-relacionadas. O Shiva Samhita, escrito em algum momento entre os séculos XV e XVII, mostra mais claramente do que o Pradipika a influência do budismo e do tantra no desenvolvimento do Hatha yoga. Enquanto apenas quatro asanas são descritos em detalhes, o Shiva Samhita fornece uma explicação elaborada de nadis (canais de energia através do qual flui prana), a natureza do prana ou “força vital” e os muitos obstáculos enfrentados na prática e como superá-los através de uma variedade de técnicas. Essas técnicas incluem dristana (olhar consciente), mantra silencioso e práticas tântricas para despertar e mover a energia kundalini. O Gheranda Samhita, escrito no final do século XVII, reflete a influência cada vez menor do tantra, particularmente qualquer coisa que envolva a interação sexual.

De acordo com os textos originais, há três fins do Hatha yoga: (1) a purificação total do corpo, (2) o balanceamento completo dos campos físicos, mentais e energéticos e (3) o despertar da consciência pura através qual, em última instância se conecta com o divino através de práticas enraizadas no corpo físico. Hoje encontramos a maioria das tradições do Hatha yoga atribuindo as suas raízes à filosofia Raja Yoga de Patanjali. Raja Yoga, muito influenciado pela filosofia budista dos yamas e niyamas, pode ser visto como tendo mais a ver com religião do que a vida espiritual de uma pessoa. Viver no mundo real dos relacionamentos, trabalho, aventura, cultura e sociedade, pode deixar você louco tentando controlar a mente como um puro raja yogui é instruído a fazer. Hatha yoga, em suas origens, está muito mais ligado ao tantra, buscando o desenvolvimento espiritual nas experiências comuns da vida e usando a experiência sensual do corpo para cultivar a integração equilibrada do corpo, mente e espírito. Em última análise, você pode encontrar o caminho do Hatha yoga um lugar onde todos os outros caminhos convergem, na felicidade simples. Este, pelo menos é o que aqueles que primeiro escreveram sobre Hatha yoga esperava que acontecesse.

Hatha Yoga usa tudo que somos fisicamente, mentalmente, emocionalmente, a nossa mais sutil e evasiva natureza interior como matéria-prima para a aprendizagem, vendo e integrando todo o nosso ser, nos abrindo para o nosso máxima imaginação, inteligência, entusiasmo, energia e consciência da vida espiritual. O termo deriva do hatha ha, que significa “sol”, e tha, que significa “lua”, simbolizando a força da vida e da consciência. (O prisma varia de acordo com a tradição e a perspectiva, com ênfase do tantra em Shiva-Shakti, no taoísmo em yin-yang, em física da matéria-energia.) Para experimentar estar totalmente vivo e consciente, essas oposições entram em uma perfeita harmonia do ser. O problema é que nós tendemos a ficar presos em nossa mente, corpo, coração. Hatha yoga oferece uma maneira de experimentar essa integração ao longo de um caminho que envolve práticas muito específicas que purificam o corpo, acalmar a mente e abrirem o coração

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