Como falamos anteriormente, vinyasa Krama é a arte de encadear os asanas respeitando a fisiologia do corpo e criando o espaço necessário para chegar em determinadas posturas. Se esse termo ainda for novidade para você, leia os posts anteriores onde esboço uma introdução para a compreensão do Vinyasa Krama.

Hoje vamos observar na prática como é o passo a passo da sequência de Vinyasa Krama, porém é interessante lembrar que essa é apenas uma das características da prática de Vinyasa Flow Yoga.Para uma prática completa é necessário incluir na sequência as diversas características que a definem.

Veja quais são essas características no próximo post.

Agora, vamos iniciar a nossa sequência de hoje!

Comece definindo o Peack Pose:

Vamos estudar o bakasana, asanas de equilíbrio sobre os braços.

bakasana

O equilíbrio sobre os braços, assim como as invertidas, possuem o poder da concentração, fortalecem os braços, o core e são extremamente eficientes em trazer a consciência para o presente.

Desenvolvem um corpo forte, saudável e com a mente tranquila, além de preparará-lo para as invertidas.

Determine alguns pontos importantes da postura:

Movimentos fisiológicos

  • Flexão dos joelhos.
  • Flexão das coxas.
  • Extensão da coluna.
  • Rotação lateral dos braços (suave).
  • Flexão dos cotovelos e punhos.

Ações-chave

  • Encaixar corretamente os joelhos sobre os cotovelos, de forma que você consiga realmente colocar parte do peso do seu corpo sobre esse apoio.
  • Alinhamento dos cotovelos perpendicular sobre os punhos.
  • Projeção do peso: muitas vezes desperdiçamos energia na tentativa de usar força para tirar os pés do chão, enquanto devemos na realidade nos concentrar em projetar o corpo para frente, passando o peso que está nos pés para as mãos gradativamente, assim quando você chegar no ponto de equilíbrio os pés simplesmente não alcançam mais o solo.
Inicie a prática levando em consideração cada ponto detectado:

Alongue e fortaleça os punhos

O alongamento é essencial, pois a postura exige uma ampla extensão do punho, entretanto devemos fortalecer os flexores do punho para uma boa projeção do peso para as mãos.

Com esse equilíbrio, criamos uma proteção para a articulação usando as ações opostas.

Existem diversas posturas no yoga que fazem esse trabalho de fortalecimento, mas para acontecer é necessário aplicar uma ação interna e direcionada.

O adho mukha svanasana é uma postura bastante comum aos diversos estilos de yoga. Observe como a atitude aplicada ao asana pode fazer bastante diferença no resultado final:

Na primeira imagem, as mãos estão sem atitude, e os antebraços também. Com isso o peso recai sobre os punhos, sobrecarregando articulações pequenas e que não possuem estrutura para suportar o seu peso.

Já na imagem ao lado, com os dedos das mãos bem afastados entre si, ativando os músculos flexores do punho que estão na parte interna dos antebraços, e com isso tirando todo o peso da base das mãos, podemos afirmar que ali aquele corpo com atitude tem o seu peso distribuído sobre diversas articulações, que juntas podem com segurança suportar o seu peso. A atitude muscular no antebraço elimina parte do peso e recolhe a energia. Essas ações, unidas a outras no corpo, tornam a postura leve, “firme e confortável”.

Para chegar nesse nível de ação interna é necessário dispor de concentração e posicionamento da sua atenção no seu corpo e no agora, muitas vezes descobrindo movimentos musculares desconhecidos até então.

Na tradição do yoga, onde está a sua atenção está o prana, está a energia que nos mantém!

Busque o alongamento apropriado para abrir o espaço necessário em seu corpo e, assim, alcançar o encaixe correto do asana.

Nesse caso escolha posturas que trabalhem abertura pélvica e flexão do quadril com anteversão.

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Fortaleça o Core

O core envolve todos os músculos da pelve e do tronco, principalmente o abdômen. Eles são fundamentais para que você possa sustentar o corpo sem sobrecarregar os punhos.

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Projeção e Distribuição do Peso

Chaturanga dandasana

Essa é uma postura de transição, que tem a sua devida importância, uma vez que fazer corretamente um chaturanga é definitivo para conquistar qualquer postura de equilíbrio sobre os braços, não apenas por fortalecer os braços, mas principalmente por ensinar ao corpo alguns encaixes articulares necessários para o sucesso nas posturas de equilíbrio sobre os braços.

Se aprendermos corretamente as kramas do chaturanga, 50% do trabalho para fazer o bakasana já está resolvido. O movimento de projeção à frente que fazemos no chaturanga pra chegar com o peito entre as mãos, o recolhimento dos cotovelos na direção das costelas através de uma rotação lateral bem suave nos braços, são coisas que o nosso corpo aprende com a repetição.

No início ao aprender essa postura muitos alunos apoiam as mãos muito para frente, impossibilitando a projeção do peso para uma boa flexão dos braços. O professor vai lá e corrige, mas a compreensão verdadeira do movimento só será possível através da repetição. A cada tentativa e erro o seu corpo está aprendendo, buscando um caminho para enviar a informação necessária – quando esse caminho é completamente formado e a informação chega, pronto! O movimento foi assimilado de tal forma que não tem mais a necessidade de parar para pensar nele. Você será capaz de acessar esse movimento tanto no chaturanga como em qualquer outra postura que necessite dessas ações que já foram ensinadas para o seu corpo através do caminho das kramas.

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Encaixe a postura

Algumas posturas facilitam o encaixe de outras. Reconhecendo essas similaridades, você pode fazer um encadeamento harmonioso para chegar até o asana.

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Realizando a postura final
  1. Imagine que existe um eixo, uma linha divisória que parte do centro de suas mãos e sobe perpendicularmente ao solo. Quando você encaixa o corpo para fazer o asana, todo o peso está atrás desta linha. Pouco a pouco, projete o peso para frente, até que se equilibre.
  2. Os cotovelos devem chegar à mesma linha dos punhos.
  3. Não tire os pés do solo, concentre-se em levar o corpo à frente, lentamente, subindo um pouquinho o quadril até sentir que os pés estão leves. Quando não houver mais peso, você pode tirá-los do solo.

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Compense

Escolha posturas que trabalhem ações opostas às que foram desenvolvidas durante a sequência. Dê uma atenção especial para as regiões do corpo que foram mais envolvidas.

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Finalize com um bom relaxamento em savasana e conclua a prática com sua meditação diária.

Boa prática, namastê!

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