Muitas pessoas podem realizar atos de caridade ou servir como voluntários acreditando que estão praticando Karma-Yoga sem fazê-lo de fato. Observe atentamente que o que vai diferenciar uma ação comum de uma prática coerente de Karma-yoga é a atitude interior em relação à ação desempenhada. Como bem disse Sri Satguru Subramuniyaswami “O Yoga não é algo que nós fazemos, mas algo que nós somos e em que nos tornamos. Sem a consciência todo-abrangente do yogue, o Yoga assemelha-se a um sol sem calor e sem luz”. Isso quer dizer que para prática do Karma-Yoga é preciso que a intenção por meio da qual nós praticamos ações esteja em sintonia com a consciência todo-abrangente ou não estaremos praticando Yoga.

A palavra karma ou karman, deriva da raiz kri e tem diversos significados. Pode ser compreendida como fazer ou criar, etc. Mas para compreendermos um pouco melhor o Karma-Yoga vamos traduzi-la como um sinônimo de ação. Muitas vezes o termo karma é erroneamente compreendido como destino ou mesmo punição. Essas interpretações têm origem principalmente na crença de que o ser humano é uma estrutura que não se extingue após a morte do corpo físico. De acordo com as principais vertentes desse pensamento a consciência individual sobreviveria à morte do corpo físico e revestida de um corpo não-material ficaria a espera de uma nova encarnação em um novo corpo físico ou suprafísico. Outra vertente define que a consciência individual não sobreviveria à morte do corpo físico e embora não haja uma entidade especifica, as forças karmicas seriam transmigradas dando origem a uma nova personalidade. Em ambos os casos as ações realizadas em uma determinada encarnação acarretariam numa espécie de efeito residual nas encarnações seguintes. O Karma, no entanto, nada mais é do que as vibrações e energia derivada de nossas ações.  Segundo o ensinamento não-dualista do Bhagavad-Gîta vivemos iludidos com a idéia de que somos senhores de nossas ações. É por esse motivo que ficamos aprisionados acreditando sofrer as conseqüências de nossos atos.

O principal objetivo do karma-Yoga é naishkarmya, ou seja, a não-ação. Repare bem que não se trata de abster-se das ações, mas de transcender a intenção egóica em cada ação, compreendendo que na realidade não há um sujeito que realiza a ação. A personalidade, a identidade e o conceito de indivíduo com os quais nos identificamos na realidade não existem.  Um ser que já tenha atingido a iluminação não agirá de acordo com o ego. Consciente de que é parte integrante do Todo age de forma espontânea e coerente com essa essência. A ação é todo o tempo a expressão da essência universal.

Tudo o que fazemos determina quem nós somos ou quem acreditamos ser, bem como define como é a nossa relação com o meio em que vivemos e nossas relações sociais e espirituais. Independente de tratar-se de um adepto do ascetismo ou de um trabalhador buscando sustentar a sua família é a nossa postura pessoal que determina a nossa capacidade de transcender a necessidade karmica na nossa consciência. Essa postura individual, quando integra e fundamentada na renúncia do ego, nos transforma espiritualmente e é perfeitamente capaz de transformar todo o nosso ambiente social. O Karma-Yoga está essencialmente ligado ao desapego e ao serviço. O aspirante espiritual deve buscar acima de tudo tornar-se melhor para o mundo iniciando a partir dele todas as mudanças que espera no mundo.

Namastê,

Mariana Cordeiro

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