Estamos acostumados a viver no passado, condicionados por lembranças, eventos, lamentações, ansiedades, inseguranças, sucessos, conquistas, ambições, etc. Nada que percebemos é novo e ao que percebemos sobrepormos o passado dentro de nossas mentes e damos essas percepções novos títulos ou rótulos.

O rótulo está sempre associado a uma forma que pertence a mente. Assim que a mente vê uma forma a memória é ativada e encontramos uma memória correspondente. Nós retiramos e sobrepormos o objeto encontrado no momento criando um enorme conflito no presente. Não parando por aqui e introduzimos um rótulo usando o discurso.

Usando o ouro como exemplo. Uma pulseira de fato não é um objeto mas sim uma projeção mental com o rótulo e tudo não passa de ouro. Ao ver uma forma circular o pensamento ativa a memoria , a  forma é encontrada e rótulo ‘pulseira’ e atrelada a forma. Não há uma nova visão, somente a recordação.

Então, como enxergar as coisas? Uma pessoa tem que enxergar sem a mente mas com o ser.  Uma vez que a mente é ativada, um fluxo irrestrito de impressões subjetivas intercede o processo da visão pura .

Enxergar sem trazer o observador, é a visão real. O observador é o conjunto de impressões,  ego, ideias, conceitos, definições, dogmas, submissões, culpas, resistências, etc. Estes são todos incorporados ao que é visto sendo um claro conflito, em que a dualidade do observador-observado é tomada como real.
Uma vez que a mente é abandonada, há apenas visão. Não há mais nenhuma divisão de observador-observado. Existe a visão com todo o ser. Há homogeneidade apesar das ilusões da heterogeneidade.

Vamos usar um livro como outro exemplo. A mente tem que estar muito tranquila para este tipo de observação.

A ‘palavra’ livro tem que ser temporariamente bloqueada. Depois, há a forma ou objeto que inflama a memória. A forma também tem que ser abandonada. Tente olhar de novo. A divisão sujeito-objeto é projetada agora. Há existência em todo o silêncio – inominável, sem forma. Esta é a consciência. Esta é a inteligência desprovida de nome, forma, subjetividade e objetividade.
Esse olhar é a visão real. Não há nomeação através da fala, sem camadas de parafernália mentais. É apenas o ver.

Será que alguma coisa acontece  Não há nenhum acontecimento ou experiencia. Existe a verdadeira visão, não há presença, realidade, é o eu interior.

Observar com tal tato é um dom natural, que aprendemos a esquecer. Na verdade temos que desaprender a viver a vida meditando. Esta nas escrituras e é chamado de ‘shambhavi dRRiShTi‘.

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