Sempre escuto as pessoas dizendo: – Calma, você chega lá! Você vai ver! E esse “lá” sempre era algo concreto a ser conquistado. Então traduzindo, a frase ficava assim: – Calma, você vai conseguir comprar um carro, uma casa, passar no vestibular, um emprego melhor etc. Era esse o “lá” que as pessoas a minha volta se referiam.

Mas embutido neste “lá” estava, na verdade, a busca de um estado interno que induzisse uma sensação ou sentimentos específicos. Calma, você vai conseguir um emprego melhor e fazer tudo que tanto deseja “para ser feliz”. Então percebi que as pessoas utilizam sempre a falta de algo (carro, casa, emprego) para justificarem ainda não terem chegado “lá” (serem felizes).

Existe então um padrão de pensamento seu que faz com que esse “lá”, que geralmente é um local diferente do “aqui” e a frente do tempo, seja cobiçado veementemente. Se o padrão de pensamentos não se alterar ao longo do tempo, o indivíduo pensa que chegar “lá” é a solução de seus problemas.

No entanto, o que acontece? Quando ele supostamente chegou “lá”, seu padrão de pensamento diz que o legal é chegar lá, ou seja, que o legal é se manter numa cascata de desejos incessantes que faz com que a pessoa nunca fique “para trás”. Então o indivíduo fica perseguindo uma meta ilusória, cria outras coisas para se cobiçar, fica então como o cachorro correndo atrás do rabo. Nunca chega! Aí eu te pergunto: – Você tem alguma busca? Deseja fervorosamente que algum desejo se realize rapidamente? Já imaginou como seria sua vida hoje se este desejo já tivesse se realizado?

Pense! E então, agora, o que buscaria? O que desejaria? Ou este desejo é tão magnífico assim que não precisaria mais buscar nada, caso ele já tivesse sido realizado?

Pois é? Todos nós temos buscas, desejos! A vida é uma sucessão de buscas. Busca-se emprego, uma casa melhor, namorado, filhos, promoção no serviço, lazer, etc. Enfim, se busca. E quando você decide parar suas buscas, você ainda busca. Busca-se não mais buscar nada, pois ainda se deseja.

É tão interessante que junto com o desejo vem sua vontade imensa de realização que, muitas vezes, acaba acontecendo, outras não. Ficamos imensamente felizes quando conseguimos e fartamente tristes quando não. Chegamos até a contar as pessoas sobre nossas conquistas. Não seria muito bom se essa felicidade durasse para sempre?

“… Quando eu passar na faculdade tudo muda. Vou ser feliz. Vou mostrar para meus pais que sou capaz! Vou mostrar para a sociedade! Vou ser um especialista! O dia chega e a formatura também e junto com ela obrigações que protelam ainda mais essa felicidade. Sabe o que é? O mercado é muito competitivo, preciso estudar mais e aí sim saberei tudo que preciso para ser feliz e ser um ótimo profissional”.

Quando eu tiver um aumento do meu salário aí sim, vou ser feliz. Os anos se passaram o aumento de salário aconteceu e a felicidade? Não! Ainda não era a hora dela. Disse um amigo meu depois que o reencontrei perguntando sobre sua nova vida agora ganhando mais. Sabe o que é? É que tenho filhos e parece que o aumento ainda não é suficiente…”.

E aí você se pergunta: Por que a felicidade é tão custosa?

Quando acontece a realização do desejo, um estado induzindo a sensação de felicidade em nós surge! Ficamos fascinados! Maravilhados! Aí que delícia! Para cada um de nós dura um tempo essa “felicidade” que, como tudo na vida, acaba passando.

Essa sensação de felicidade que sentimos quando conquistamos algo vem justamente porque naquele momento após a realização do objeto cobiçado, para-se de desejar e o não-desejo é um estado de plena felicidade. A vontade de desejar então naquele momento cessa e aí vem a felicidade, que surge por causa do não desejo, não por causa da realização do objeto desejado, pois se fosse isso duraria para sempre quando alcançado.

Após a realização do desejo, geralmente depois de um tempo, vem a necessidade de um novo desejo. Mas por quê? Por que uma nova sensação brota na gente para que desejemos mais alguma coisa? Que sensação é essa? Ao se comparar aos outros, o vazio (insatisfação) brota no indivíduo onde existia até então apenas felicidade…

Esta sensação de vazio (ou insatisfação) que surge após a realização, impulsiona o homem a desejar de novo, para, de novo sentir felicidade, o que na verdade faz com que este entre num ciclo vicioso de desejo e realização para se ter felicidade. O indivíduo fica frustrado e insatisfeito a maior parte do tempo em busca daquela sensação de felicidade que, na verdade, para muitos, dura muito pouco.

O padrão de pensamento é o que dita aquilo que vai sentir. Quando você observa as coisas a sua volta, milhares de pensamentos chegam até você e esses pensamentos vão despertar sentimentos (vamos dizer agradáveis ou não). Aí caberia apenas a auto observação!

Após observar, você para! Pare e pense! Reflita! Observe-se! Será mesmo que você precisa de tudo aquilo que vê?

Se hoje se sente insatisfeito com o quanto ganha, certamente quando ganhar mais, se o seu padrão de pensamento continuar o mesmo, só irá fazer mais dívidas e o dinheiro acaba, de novo, sendo pouco, insuficiente, perpetuando a insatisfação decorrente da falta do dinheiro.

Assim, se não houve uma observação acerca dos pensamentos que te vêm a mente, para que enfim haja uma mudança de comportamentos e hábitos, o que o futuro lhe reserva são os mesmos padrões de queixas, reclamações, angústias e tristezas que tem no hoje!

A felicidade vem de graça. Nós a transformamos em algo que se compra!

Ninguém é contente o tempo todo, assim como ninguém pode ficar triste a vida inteira. Imagine! É como subir uma trilha: você anseia em chegar lá no topo. Quando chega, fica maravilhado, extasiado, mas logo enjoa, passa, cansa! E então, não demora muito a querer descê-la de novo para se aventurar em outras trilhas.

Então te digo: Aproveite a caminhada e faça dela um caminho de escolhas. Pense nisso!

Para mais informações acesse: conceitonalini.com.br

crédito da imagem: Gettyimages

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